quinta-feira, agosto 12, 2010

Pesquisa em Educação ***Resumo***

Unicid- Universidade da Cidade de São Paulo                                                                      
Polo de Educação a Distância – Penha                                                                                 
Curso: Pedagogia
Disciplina: Pesquisa em educação: O aluno da Educação Infantil e dos Anos Iniciais
Profa.: Solange Bruno Ruiz
Enviado pela aluna Débora Dias 

Três Modelos pedagógicos para as crianças

É bastante interessante e útil ao campo da Educação o modo Varela (2000) discute, organiza e apresenta o cruzamento entre espaço, tempo, poder, saberes e sujeitos no interior das instituições escolares, destacando três modelos pedagógicos, sob a forma de tendências, produzidas em períodos históricos distintos.
As pedagogias disciplinares, cujo cenário foi composto por humanistas, filósofos, reformadores e moralistas do século XVI e XVII.
As pedagogias corretivas protagonizadas por Binet, Simon e pelos representantes do movimento das Escolas Novas, como Montessori e Decroly.
As pedagogias psicológicas , destacando-se em especial Freud e Piaget.
As pedagogias disciplinares , na segunda metade do século XVI, a partir da preocupação dos reformadores e humanistas pelo governamento da infância.
Alteraram o uso dos espaços e dos tempos nas instituições educativas, tendo como efeitos a produção social do indivíduo e o disciplinamento dos saberes.

Pedagogias corretivas, direcionadas em especial para as crianças que apresentavam problemas de aprendizagem e de conduta, defendendo a idéia de que a criança, com seus interesses e tendências naturais, devem estar no centro da ação educativa. Montessori e Decroly concordavam em valer-se dos preceitos psicológicos para fundamentar cientificamente seus sistemas teóricos .Trabalhando no ensino tradicional com programação de atividades e exames.
Pedagogias corretivas estiveram intensamente envolvidas num deslocamento de exercício de poder disciplinar, criaram uma relação diferenciada entre crianças e adultos, posicionando de modo diferente o aluno e o mestre.
São as próprias pedagogias corretivas que fazem emergir outros modelos de pedagogias.

Pedagogia psicológicas, o que difere as pedagogias psicológica das corretivas é a forma de controle exercido sobre os alunos. Se as pedagogias corretivas priorizavam a autodisciplina em contraposição à disciplina rígida das pedagogias disciplinares, agora pedagogias psicológicas preocupam-se, sobretudo, em fortalecer ainda mais o controle interior.
Dão enfoque na programação e vigilância do chamado desenvolvimento correto, com base nos estágios de desenvolvimento infantil.
As críticas vindas da psicanálise pelas práticas pedagógicas sobre a criança, com base nas leis de desenvolvimento, fazem emergir idéias de que cada aluno tem um ritmo próprio, que deve ser considerado pelo professor. A idéia de ritmo individual prioriza uma pedagogia centrada na atividade do aluno, para que ele se expresse “livremente” numa educação livre de coação.

Pesquisa e a Crise da Escola

Três motivos que a escola moderna parece estar mais correspondendo ás formas atuais de organização social.
A instituição escolar está em crise: tratando do terreno educacional brasileiro, esta é uma constatação há tempos em pauta em diferentes discursos sobre a educação.
Em tentativas de solução, são produzidas várias discussões sobre as possíveis causas desse fracasso.
Com resposta, num jogo quase circular, outros discursos modernos vão sendo produzidos.
No sentido clássico grego, crise é o momento de mudança (para melhor), no moderno é o momento de paralisia.
A crise educacional enfraqueceu  o poder que a escola, supostamente, tinha de proporcionar melhores condições de vida aos sujeitos e de inseri-los “ sociedade de todos”.
Outro motivo: é que a escola parece não estar mais correspondendo às formas atuais de organização social, de que as tentativas modernas de composição do indivíduo uno, coerente, integral fracassam á medida que os sujeitos deparam-se com a necessidade individual.

A escola moderna desde sua constituição, subordina sua função cognitiva e instrucional á principal de suas funções: governamento e regulação moral dos indivíduos e populações. As práticas escolares, ao mesmo tempo que fabricam identidades consideradas verdadeiras, acaba por produzir a diferença como pejorativa, percebendo-a como um desvio da norma, como uma falha que precisa ser corrigida.

O último motivo: refere-se á valorização generalizada do sujeito, traduzida principalmente por um individualismo cada vez mais afastado dos grandes sistemas de sentido. A psicologização das relações humanas que se desenvolveu paralelamente á revolução científico- tecnológica torna possível certo tipo de hiperinvestimento do eu.
Além desses motivos, é bem possível que os professores tenham novas respostas para o descompasso entre a escola e a sociedade atual. Por meio de pesquisa investigando o seu cotidiano profissional e os sujeitos com os quais trabalha os professores certamente estarão mais bem preparados para enfrentar os desafios que a contemporaneidade lhe impõe.

O mundo contemporâneo vem passando por rápidas e intensas mudanças na sua organização social, política, econômica e cultural.
Deve-se considerar que os alunos de hoje nascem num mundo cuja organização é radicalmente diferente da forma como o mundo era organizado anteriormente.
O advento de alguns episódios tecnológicos recentes alterou os modos como a criança e jovens intervêm o mundo. Este é um dos fatores que explicam o enfraquecimento da idéia de que a escola é a instituição responsável por transmitir, desde cedo, os conhecimentos aos alunos.
Os modos contemporâneos demandam que o professor execute a função de problematizador das práticas em que os alunos e suas famílias encontrem-se enredados.
Por tanto o papel do professor é o de auxiliar na compreensão, utilização, aplicação e constante avaliação dos conteúdos e das informações escolares.
No contexto de uma sociedade caracterizada como digital, o papel do professor amplia-se, ao invés de empalidecer. Diante da velocidade com que as mudanças ocorrem, não é mais suficiente que os professores aprendam os saberes pedagógicos. È necessário e imprescindível que eles questionem os saberes.
No entanto o maior desafio de todos os profissionais de Educação atualmente é adaptar-se ao fato de que as pessoas mudam constantemente e com muita rapidez.

Historia da infância

As crianças sempre existiram, como corpos biológicos, como seres que se movimentam, que se vestem, que sentem fome, sede, frio. No entanto, a infância diferentemente dos corpos, é uma idéia, um sentimento, uma fase da vida que foi criada para esses seres chamados crianças. Portanto, este sentimento de infância, essa fase da vida que se denomina infância nem sempre existiu.
    
Crianças medievais

De acordo com o historiador francês Philippe Ariés (1981), as condições para que a infância fosse inventada começaram a acontecer no final da idade media, na Europa. Antes disso, as crianças eram vistas e tratadas, por elas mesmas e pelos adultos, como miniaturas de adultos, não havia nenhuma diferença fundamental entre crianças e adultos, a não ser a diferença de tamanho. A partir do momento em eu a criança começava a adquirir algum desembaraço físico (falar, andar), ela já era vista imediatamente como adulto jovem. O sentimento de infância era muito passageiro e superficial.
Outro fenômeno importante com relação á freqüência da morte entre as crianças era o infanticídio, por mais brutal que isso porra nos parecer. As crianças que morriam eram logo substituídas por outras; nessa repetida substituição não se percebiam sentimentos de afeição ou culpa por parte das famílias, já que os recém-nascidos não eram considerados. De acordo com Ariés (1981, p.17), ‘‘ a diminuição da mortalidade infantil observada no século XVIII não pode ser explicada por razões médicas e higiênicas; simplesmente, as pessoas pararam de deixar morrer ou de ajudar a morrer as crianças que não queriam conversar ”. Nasciam e desapareciam feito animais domésticos. Eram enterradas no quintal.
Nesse sentido, também é importante referir que a infância individualiza esteve ausente da representação iconográfica –túmulos, pinturas religiosas – antes do século XVIII.
Outro aspecto que merece destaque nos modos de vida das crianças da Idade Média refere-se á educação dos ‘‘miniadultos’’: as crianças medievais aprendiam as coisas da vida diretamente com os adultos, ajudando–os a realizar suas tarefas. Não havia uma instituição (como a escola, por exemplo),para onde todas as crianças deveriam ir para aprender.
As atividades lúdicas proposta eram realizadas por todos, sem preocupação de idade ou sexo: brincar com bonecas, cata-ventos, pioras, jogos cantados. A dança e os jogos com bolas também faziam parte do cotidiano das pessoas. As crianças participavam das festas de adultos, dos jogos de azar, das atividades profissionais da época.
A família – diferentemente do que veio a acontecer depois, com a chegada da Modernidade, não possuía um núcleo, composto de pai, mãe e filhos. A família medieval era composta de muitas pessoas que geralmente moravam numa mesma casa, cujo espaço não era organizado de forma a permitir a privacidade das pessoas. As preocupações com a individualidade das crianças eram inexistentes e, portanto, ignorava–se a necessidade de respeito a elas. “Os adultos se permitiam tudo diante delas: linguagem grosseira, ações e situações escabrosas; elas ouviam e viam tudo”.  A sociedade medieval simplesmente desconhecia todos esses preceitos que fundamentam atualmente a criação e a educação de uma criança.

Crianças modernas

A vida das crianças começou a aparecer pelo final do século XVII, período caracterizado por numerosas mudanças sociais, na economia, cultura, política. Foi em meio a tais mudanças que o conceito de infância aceito hoje começou a ganhar forma e força, atingindo seu apogeu no século XX.
Foi também no final do século XVII que as famílias passaram a se estruturar seguindo um novo modelo de família. Começou a haver uma especialização funcional do espaço privado, reorganização da casa e a reforma dos costumes deixaram um espaço maior para intimidade, que foi preenchida por uma família reduzida aos pais e ás crianças.
As novas práticas familiares resultaram em novas formas de se entender e tratar as crianças, que passaram a aprender não mais por sua convivência cotidiana junto aos adultos, mas na escola.
O afeto dispensado ás crianças passou a ser medido em função da importância que os pais e as mães davam á educação de seus filhos.
A modernidade é compreendida, por Max Weber, como um processo de racionalização da vida social no termino do século XVII período em que se iniciou a formação do sujeito consumidor.
O período atual é chamado de pós-moderno e suas condições foram se estabelecendo, segundo Lemos a partir da segunda metade do século XX, com o advento da sociedade de consumo, ( mídia de massa), associados a queda das grandes ideologias modernas e de idéias centrais como história, razão e progresso.
Dessa forma pode-se dizer que foi com o surgimento do período conhecido como Modernidade que as crianças passaram a ser separas do imaginário adulto e a escola assumiu o papel preponderante de educá-las, em um processo de enclausuramento, de segregação.
A noção de fragilidade da criança foi discursada e sistematizada. A partir daí, no século XX, essa noção foi difundida por pedagogos, psicólogos e psiquiatras.
Na modernidade, a família passou a assumir uma função moral e espiritual responsável pela formação dos corpos e das almas: o sentimento de família, sentimento de classe e talvez em outra área, o sentimento de raça, surgem, portanto, como as manifestações de uma mesma preocupação, a uniformidade.
A escola medieval que atendia meninos entre seis e aos vinte anos de idade, geralmente em um grande auditório e com um único mestre, começou a reconstruir-se ainda na Idade Média, também indiferente ás idades dos alunos mas atenta aos conteúdos transmitidos.
De acordo com Revel as transformações que alicerçaram a Modernidade, passaram a se intensificar os discursos sobre as normas de civilidade, especialmente os chamados Tratados de Civilidade, dentre os quais se destaca a obra de Erasmo.
Essa obra, foi um dos tratados mais importantes, devido á descrição de condutas prescritivas com finalidade pedagógica, de ensinar boas maneiras relacionadas á postura e a comportamentos sociais desejáveis. As boas maneiras propostas pelo autor foram reeditadas durante quase um século.
Surgiu assim, o que chama hoje de aprisionamento do corpo, não somente do adulto, mas essencialmente da criança. A criança deveria desde pequena ser disciplinada: interiorizar códigos, regras e normas sociais válidas para todos, e que esses valores deveriam ser transmitidos pela escola.

A infância hoje

A fabricação da infância insere-se nas tramas que os sujeitos  criam e que nelas mutuamente se envolvem, ou seja, ela está associada a um amplo conjunto de alterações dos modos como os sujeitos, ao longo dos tempos, percebem e organizam seus corpos e sua existência.
Fases da vida: primeira infância, segunda infância, meninice, puberdade, adolescência, adultez, meia idade, terceira idade, idade senil, fases que estão  inseridas numa lógica disciplinar que divide o tempo de vida dos seres humanos em etapas especificadas, buscando diferenciá-las para que cada uma delas tenha sua própria particularidade e seu lugar devidamente demarcado.

Áries aponta que antes do séc.XVII, o período da infância era reduzido e a passagem da criança ( basicamente os recém- nascidos) adulto jovem era operada de forma imediata, ou seja, não existiam outras fases pelas quais os seres passavam até atingirem a adultez.
Com a emergência das sociedades industriais e a invenção das chamadas fases da vida, a uma significativa separação entre criança e adultos, o que resulta em novas praticas e sentimentos familiares, culminando no enclausuramento das crianças, processo em que Áries chama de escolarização.

Foucaultiano, BUJES, salienta que as transformações  do modo de ver e tratar as crianças foram produzidas no interior de poder típicas do tempo e espaço moderno.
Associada ao funcionamento do biopoder e do poder disciplinar, colocam  as “condições para que o adulto e a criança se diferenciem  e se distanciem, numa operação que constitui a justificativa para  a intervenção familiar e para a prática da educação institucionalizada.
Portanto, um processo que permite, ao mesmo tempo, um saber da criança e um saber sobre a criança.
A pedagogia se formou a partir das próprias adaptações da criança as tarefas escolares.

Os estudos da criança

Os estudos da criança intensificaram em meio as transformações sociais, políticas e econômicas que estiveram envolvidas na constituição dos tempos e espaços modernos.
Varela e Alvarez-Uría, atentam para o fato de que, mesmo antes de a infância ser delimitada como uma etapa cronologicamente precisa, foram atribuídas a esta parte da vida, algumas característica, que se constituíram em condições de possibilidade para o moderno sentimento de infância.
Apoiando-se nessas características e ao mesmo tempo fortalecendo–as, intensifica-se uma ação educativa institucional em colégios, albergues, casas de doutrina.
Narodowski(2001), é  com Rousseau que a infância surge delineada em seus aspectos mais puros e claros. Em Èmile a criança é nomeada como um não – adulto, ser carente de razão e de juízo; ser ingênuo e inconsciente; portanto, ser dependente, que necessita ser conduzido, amado, protegido pelos já completos: os adultos.

Rousseau a nomeia de duas formas distintas, mas complementares: a criança é apresentada ao mesmo tempo como um ser inacabado e como um ser naturalmente capaz de aprender.

Infâncias atuais

Nosso mundo contemporâneo tem sido edificado sob uma crescente valorização individual.
Mariano Narodowski(1999), diz que estamos nos despedindo dos sentidos modernos de infância e que este sentido estão sendo reconduzidos a dos pólos, que o autor chama de infância hiperrealizada e infância desrealizada.

Infância hiperrealizada _ É aquela infância que é realizada exatamente na interação com todas as possibilidades tecnológicas que o mundo contemporâneo oferece. É por isso que a infância, ao contrario da concepção moderna, não espera e nem se prepara para viver um mundo que seria legitimamente de adulto.

Infância desrealizada _ “trata-se da infância excluída fisicamente destas relações de saber, mas também excluída institucionalmente: assim com a invenção da imprensa produziu analfabetismo, a Internet está também criando uma nova geração de analfabetos virtuais.”

Neil Postman(1999) diz que a infância, tal como a entediamos, está desaparecendo, exatamente porque as crianças passaram novamente a ter acesso a todo tipo de informações que antes eram exclusivas dos adultos.
Com relação aos jogos eletrônicos, por exemplo, de forma geral a idéia é a de que é preciso afastar as crianças da frente da tela, não deixá-las muito tempo expostas aos conteúdos dos jogos, enfim, evitar que as crianças passem muito tempo envolvidas com essa atividade, pois pode ser prejudicial à sua formação.
Simultaneamente a constituição dos tempos e espaços modernos, escola – e basicamente ela – produzia os sujeitos para viverem de acordo com os códigos sociais modernos. Na contemporaneidade, começam a aparecer outros locais onde se  “capturam” as crianças. Não é mais a escola que detém todas as informações – elas estão no mundo dispersas, difusas em várias instâncias sociais, em vários espaços mesmos que simbólicos.

O mundo de hoje não é o mesmo mundo em que a escola foi criada. Isso não é novidade nenhuma para ninguém A escola pode esta conseguindo perceber as diferenças, mas talvez esteja conseguindo enfrentá-las. 

Perspectivas de pesquisa sobre criança e educação: O referencial da Psicologia

Algumas vertentes da Psicologia se encarregam em dizer palavras sobre nós, seria possível que a psicologia, em vez de descobrir o comportamento infantil, estivesse criando modos determinados de as crianças se comportarem?
Torna-se possível olhar de modo diferente para as crianças, entendendo que suas atitudes e suas condutas não são inerentes a uma natureza infantil suscetível de ser decifrado, mas foram e são construídas, fabricada em meios a condições históricas, econômicas. Políticas, sociais e culturais, das quais as próprias palavras da psicologia fazem parte.

Breve Histórico da Psicologia

A Psicologia vem progressivamente estendendo seus limites e propiciando uma ampliação dos estudos e das práticas realizada sobre a égide da psique.

A psicologia foi, aos poucos, se desligando das manifestações filosófica e sob a influência do evolucionismo de Darwin e do Positivismo de Comte, passar a ser estruturada como uma ciência autônoma e começa-se a delimitar seu campo de atuação, a determinar seu objeto e seus objetivos, a enunciar os seus princípios e os seus problemas, a estabelecer seus métodos de estudo e formular suas próprias teorias.

Área “Psi”, campo que abrange as disciplinas, que estudam o psiquismo: psicanálise, psicologia e psiquiatria. A psicologia pode conhecer e descobrir o comportamento humano.

Psicologia do Desenvolvimento

À medida que os campos do conhecimento foram-se tornando mais elaborados, ou seja, forma sendo enquadrados numa mortatividade que se chamaram Positivistas aumentou as preocupações com a definição de objetos e métodos que supostamente sejam capazes de garantir o caráter de cientificidade das pesquisas.
A psicologia nasce no interior dessa preocupação positivista, expressa nos estudos sobre a maturação humana com enfoque biológico-evolucionista, originário das ciências da natureza e da medicina.

Objetivo da psicologia do desenvolvimento é descrever as funções psicológicas das crianças de diferentes idades, para entender como tais funções mudam com a idade, saber quando e como cada tipo de comportamento vai aparecendo.

São utilizados métodos de observação e de experimentação comum com toda área da psicologia, especialmente, os métodos:

·        Método Longitudinal que se caracterizam por observações realizadas sobre o mesmo sujeito ao longo de sua infância e juventude, tornando-se um período extenso.

·        Métodos Transversais que são os mais usados atualmente, exigem menos tempo, porque realizam as observações sobre vários sujeitos de diferentes idades. (BARRO)

Os métodos foram denominados de fases:

Fase Descrita foi baseada na teoria da maturação, se deu a construção de uma série de fichas, questionários e testes com a finalidade de facilitar o acompanhamento da maturação motora, adaptação lingüística e social.

Fase  Correlacional utilizavam métodos comparativos, verificando a co-variação entre dois comportamentos diferentes, não produziam uma teoria em especial e logo se passou a experimental.

Fase Experimental em que o sujeito é estudado inserindo-o em condições provocadas, manipuladas. Há grande explosão de pesquisa sobre o comportamento infantil, não só da psicologia do desenvolvimento, mas a colaboração entre outros ramos da psicologia, como a psicopatologia, a psicomotricidade, a psicofisiologia, psicologia da aprendizagem e da personalidade.

A conexão entre pesquisas psicológicas e práticas pedagógicas

As pesquisas sobre a criança partir de um referencial da psicologia têm servido de suporte a uma serie de intervenções pedagógica que tornam como legitima as teorias psicológicas.

Desde que começou a discutir se a pedagogia deveria ser definida como “ciência da educação” com seus princípios próprios, suas regras determinam, seus métodos particulares, percebe o peso e o papel conferido à psicologia com fundamentos cientifica.

A relação entre educação e psicologia é muito próxima, tornando tênue a fronteira entre essas instancias. A proximidade delas possibilita a legitimação das intervenções pedagógicas.

A psicologia do desenvolvimento constitui-se a serviço da produção de um saber que deve fornecer critérios para o sistema educacional agrupa as crianças seguindo a evolução de suas capacidades e aptidão especifica. (SOUZA)

Base teórica das fases do desenvolvimento infantil estudado por Piaget:

Sensório-motora (0 a 2anos) - Pré-operatória (2 a 7 anos) - Operatório-concreto (7 a 11 anos) - Operatório-formal (11 a 15 anos)

As atividades para se trabalhar esquemas corporal, lateralidade, coordenação, visomotora, relação espaço-temporal, percepção, conhecimento lógico matemático.

Alguns desses conteúdos são subdivididos em áreas mais especificas como percepção que é divido em: Visual, Auditiva, Tátil, gustativa e olfativa.

Coordenação Motora Ampla - Atividade locomotora, não-locomotora e atividade manipulativa.

Coordenação Motora Fina (recorte, colagem, bordado, pintura, grafismo e jogos de encaixe) - Movimentos com os braços, antebraço e pulso e movimento com a mão e dedos;

Perspectivas de pesquisa sobre crianças e educação: o referencial da Sociologia 

A Sociologia é uma ciência que se preocupa com os fenômenos sociais, procurando analisar as relações estabelecidas pelos indivíduos no interior de uma sociedade onde se preocupam com as relações sociais. A Sociologia é voltada para as crianças como seres ativos que participam na construção das formas de vida em sociedade.
Norbert Elias, a sociedade pode ser entendida como uma rede de interdependência, que configurada por uma série de infinitas cadeias de relacionamentos onde a sociedade não pode ser compreendida e isolados  uns dos outros.
A idéia central é que as pessoas estão conectadas a infinitos modos por meio de associações diferentes. Em 1993, a escola, a família,e a cidade foram reconstruídas o tempo todo sendo compostas  por redes de interdependências,onde a Pedagogia apresentou visões diferenciadas sobre o processo de civilizações.
   O conceito de culturas infantis, se referem ao modo como as crianças vivem, no cotidiano do dia-a-dia infantil.Existem diferentes culturas infantis; a que mora nas cidades do interior,e as que moram nas capitais,todos os convívios dessas crianças determinam suas culturas,variando com os meios sociais em que vivem,como seres de formas afetivas nos processos sociais e também que produzem formas sociais sendo capazes de construir suas próprias relações e identidades. Stuart Hall, centraliza a cultura infantil de pós modernidade, onde os conceitos são representados como culturas infantis,onda a educação de crianças e jovens estão sendo formados para serem capacitados para suas próprias formas culturais.
   A Sociologia da infância, se volta para as investigações das culturas e relações sociais das crianças, inserindo-as na sociedade como seres que precisam ser socializadas pelas escolas e famílias. Também reconhecem as crianças como atores sociais que participam tanto de suas formas de vidas como as pessoas que a rodeiam.
   O termo afasia é a perda ou enfraquecimento do poder de captação e expressão de palavras como símbolos de pensamentos.
   Bujes, possibilitou a necessidade de escutar as vozes infantis, rompendo uma série de interpretações, proporcionando a criança uma interdependência, tornando-os capazes de pensar, sentir, interpretar a si e aos outros, através das falas que são fundamentais para a compreensão cultural infantil, reconhecendo-o como um sujeito ativo na sociedade.

Perspectivas de pesquisa sobre crianças e educação: o referencial político-demográfico
O referencial político-demográfico pode ser caracterizado como aquele cujas pesquisas se interessam por discutir as políticas sociais dirigidas à infância.
É a partir desse referencial que são realizadas as pesquisas diagnósticas, de levantamento, de caracterização, etc. Pelas esferas administrativas do Estado em direção à proposição e efetivação de política sociais (em especial as públicas) para a infância; analisam os desafios impostos pela legislação da área;e apresentam sugestões para o enfrentamento e a superação dos problemas encontrados.
 Políticas sociais são expressas como “um conjunto de decisões e ações destinadas à resolução de problemas políticos” (RUA, 1998, p.731).
 As políticas podem ser entendidas inserindo-as no seguinte contexto: as diretrizes estratégicas, que prevêem a criação de programas que, por sua vez, estipulam ações a serem desenvolvidas. As pesquisas realizadas a partir de referencial político-demográfico justificam-se em função de determinadas falhas, ou seja, propostas interessantes vindas da esfera federal, mas, elas se mostram ineficazes e insuficientes para garantir os direitos das crianças, assegurados por lei.
  O objetivo comum às diferentes pesquisas realizadas a partir deste referencial é (além de propor a criação de novos programas), discutir o caráter deficitário dos programas existentes. Também discutem a fragmentação das ações destinadas a crianças e jovens, apontam aspectos que demandam maiores investimentos, enfim, problematizam os limites e entraves para a oferta de política sociais de qualidade à criança, desde sua mais tenra idade.
Os resultados das pesquisas criam e fortalecem o discurso da necessidade de atuação das instâncias do Estado, em seus níveis federal, estadual e municipal.

Políticas públicas e legislação

As ações governamentais relativas à infância e à adolescência têm sido propostas (e, em alguns casos, efetivadas) em duas direções: uma hierárquica (da União para os Estados e Municípios), concatenando esforços conjuntos do Estado e sociedade civil organizada (ONGs). Desses esforços, emergiam os Conselhos de Direito e Defesa da Infância e Adolescência. Sobre isso, destacam – se o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8.069, de 13 de julho de 1990), da qual o Estado objetivou a normatização de uma política de assistência, proteção e educação à criança e ao jovem. Essa lei introduz mudanças significativas em relação à legislação anterior, datada de 1979 (o Código de Menores). É importante destacar que o documento é referência mundial em termos de legislação destinada à infância e à adolescência, sendo considerado um dos mais avançados conjuntos de leis de proteção à criança. Os Direitos das Crianças, composto por 54 artigos que colocam a criança em posição de absoluta prioridade no que se refere à formulação de políticas e sua respectiva destinação de recursos públicos (BRASIL,2000). A importância significativa de ECA, que estabelece limites à ação do Estado, do juiz, da polícia, das empresas, das famílias e inaugura uma nova ordem jurídica e institucional referente às relações entre adultos  e crianças.
             É preciso reconhecer inúmeras dificuldades, já que a realidade da criança e do adolescente não foi alterada significativamente. Alterou-se a nomenclatura a partia da qual as crianças e os jovens infratores eram nomeados, mas o fato de que eles continuam nas ruas ou em instituições de regeneração não só continua a existir, como tem se agravado nos últimos tempos.
              As pesquisas realizadas a partir do referencial político-demográfico exercem uma função fundamental: investigar os sistemas de garantia aos direitos da criança e do adolescente, propostos pelo Estado e pela sociedade civil, para que, entre outras coisas, os fundamentos do ECA possam ser efetivados.

Como surgiram as pesquisas político – demográficas?

As pesquisas cujo referencial é o político-demográfico têm, a princípio, uma condição fundamental: o conceito de população.
Em épocas anteriores à constituição do Estado Nacional, em sociedades menos complexas do que as que temos hoje, não existia o conceito de população. Havia apenas o reconhecimento de duas instâncias sociais: o Estado, representado por um soberano, e a família. Não havia, entre essas duas instâncias, um vínculo necessário. O vínculo entre Estado e família só se tornou possível quando se inventou o conceito de população, entendido como um corpo múltiplo e numerável, que tem uma regularidade própria, com características, necessidades e problemas comuns (FOUCAULT,1992).
             O termo governo tinha o significado de conduzir as pessoas, dirigir os seus comportamentos, mas não era vinculado preferencialmente às instituições do Estado, como o entendemos hoje, de modo geral. O Estado moderno governa sua população quase da mesma forma que a família, em épocas anteriores, governava seus integrantes. Portanto, não bastou apenas utilizar o mesmo modelo de gestão (a economia); foi preciso refinar e incrementar esse saber para que ele atingisse seus objetivos governamentais. Por meio dela, o Estado passa a intervir nos processos populacionais de natalidade, mortalidade, longevidade e, assim, passa a normalizar a conduta social, prevendo e regulando os comportamentos tanto individuais quanto coletivos. 
Normalizar implica classificar, medir, avaliar e hierarquizar os sujeitos, seus comportamentos e suas capacidades para garantir e melhorar a sua vida.
O instrumento que possibilita estabelecer uma norma é a estatística. A estatística permite o mapeamento dos fenômenos próprios da população: direitos, garantias, deveres, segurança, saúde, educação, velhice, enfermidades, anomalias, vida conjugal e familiar, propriedades, obrigações, atividades profissionais. A população como um corpo coletivo vivo, passa então a justificar todo e qualquer ato governamental, constituindo-se, assim, como principal objetivo do governo.

As pesquisas político-demográficas sobre a infância

O fundamento de implementação de políticas sociais para a infância é o reconhecimento da criança como cidadã. Além disso, as crianças são entendidas como um segmento populacional vulnerável pela condição de dependência econômica e social que elas mantêm como adultos.
A idéia é a de que as pesquisas estudam a situação social vivida pelas crianças e suas famílias, construindo uma gama de informações sobre os sujeitos infantis. Além de descrever seus modos de vida, ao dar visibilidade às crianças como sujeitos de direitos, opera-se com a construção de formas de ser criança cidadã e de viver uma infância de direitos.
As lutas sociais em torno dos direitos da infância aparecem como pano de fundo às intervenções estatais e a questão de como governar torna-se cada vez mais central. Isso nos permite perceber o quanto essa vontade de saber sobre as crianças está intimamente imbricada a questões governamentais.
A promoção de direitos e a aplicação da lei são, geralmente, entendidas como práticas libertadoras, capazes de oportunizar inclusão social e oferecer melhores condições de vida a todos os segmentos populacionais. Raramente se questionamos efeitos destas  práticas ao estipular normas que regulam a maneira como os diferentes grupos devem viver as sua vidas, os lugares que devem ocupar, as condutas que devem ter. Ao mesmo tempo, em proporções semelhantes, é bem possível que grande parte das crianças brasileiras continue a ser ignorada, explorada, abandonada, violentada, negligenciada, vivendo de forma independente e autônoma nas ruas: crianças sem infância; ou melhor, crianças que vivem uma infância diferente daquela inventada pelos ideais iluministas modernos do início do século XX. Conhecendo como as pesquisas se organizam e funcionam, pode-se melhor compreender as formas pelas quais crianças e adultos são subjetivados a assumirem determinadas identidades conectadas ao conceito de cidadania.   
A construção do projeto de pesquisa

  A construção de um projeto de pesquisa envolve uma série de elementos que os pesquisadores devem considerar:

·                    apresentar temas do seu interesse, os problemas que formulou em torno deste tema, as hipóteses a que chegou os pressupostos teóricos que embasam suas idéias, o referencial analítico, a metodologia entre outros.
    
Para se construir um projeto o pesquisador devem levar em consideração várias condições, que se referem a: estudos, leituras, anotações; participações em aulas, cursos, seminários e em outras atividades acadêmicas. Portanto, o estudo é uma exigência para a proposição de uma pesquisa e para a própria ação de pesquisar.

O curso de Pedagogia oferece aos seus alunos subsídios para que se formule um projeto de pesquisa através de discussões que são realizadas nas aulas, com a conclusão das disciplinas e com os questionamentos que delas resultam. De acordo com Severino (2000, p. 158), o curso deverá oferecer aos estudantes um instrumental teórico e metodológico.
    
Os momentos distintos, mas não desvinculados que serão vividos pelos estudantes são: de estudos, leituras, discussões, dúvidas, escritas de pequenos textos, comentários e trocas de idéias, e o outro momento será de elaboração do projeto de pesquisa.
    
Para se propor um projeto de pesquisa, é preciso estar próximo a um referencial teórico (da Sociologia, da Psicologia, da História, entre outros).
    
Uma das principais dificuldades na proposição de um projeto de pesquisa refere-se exatamente a essa imersão que os alunos têm que fazer no referencial teórico do qual suas idéias e seus interesses mais se aproximam.
    
O principal referencial que os alunos do curso de formação de professores utilizam é o da Psicologia, saindo desse referencial os alunos terão um grande desafio.
    
O conhecimento da Psicologia é historicamente datado e geograficamente localizado, situar-se do lado de fora do pensamento produzido pela Psicologia significa perguntar-se  em que condições essa área construiu suas teorias. 

Existem diferentes modos de olhar e entender as situações pedagógicas e os respectivos saberes que as produzem. Pois, dependendo das teorias e métodos, um mesmo objeto pode ter diferentes modos de ser entendido, partindo deste princípio podem-se realizar diferentes análises, dentre as quais: as do tipo internas e as do tipo externas.

Internas: Estão situadas no lado de dentro da própria racionalidade de uma área de conhecimento. Na maioria dos casos as análises a serem operadas são do tipo internas.
Na tentativa de desvendar o sujeito infantil lança-se mão de fundamentos teóricos produzidos pela Psicologia, exatamente por se tratar de conhecimento científico as formulações psicológicas carregam consigo certa legitimidade.

Externas: Estão situadas externamente em relação ao pensamento que analisam.
A análise externa pretende entender determinados conceitos e práticas, e coloca em questão determinados significados transcendentais que operam como princípio e que, são vistos como legítimos e servem de justificativa para várias categorizações, que se encontram neutralizadas nos discursos sobre as crianças, seu desenvolvimento e sobre as formas adequadas de educação para elas.

Elementos de um projeto de pesquisa

As análises dos tipos internas e externas chamam a atenção dos professores para o fato de existirem inúmeras possibilidades de questionar, pensar, estudar, analisar, problematizar e investigar as situações cotidianas no interior da instituição escolar.
Independente das análises serem do tipo interna ou externa, a construção de um projeto de pesquisa pressupõe que o tema e a maneira como será investigado tenha importância não apenas para a área de estudos a qual a pesquisa está vinculada.

A escolha e a delimitação de um tema de pesquisa pressupõem sua relevância não só acadêmica, mas, sobretudo social.
O texto do projeto deverá mencionar o foco de sua problematização, situar o domínio teórico-conceitual em que se inscreve e expressar consistência na argumentação. Em relação à escrita, deve-se tomar cuidado com a redação correta, com a organização textual e com a adequação do texto ao gênero discursivo e não apontar resultados definitivos.

Os elementos fundamentais que devem compor um projeto de pesquisa são: título do projeto, delimitação do tema e do problema, apresentação das hipóteses, explicitação do quadro teórico, indicação dos procedimentos metodológicos e técnicos, cronograma de desenvolvimento e referências bibliográficas básicas.
    
Tudo no campo da educação, tanto o que acontece dentro da escola, quanto fora dela, pode virar objeto de pesquisa.
Novas maneiras de olhar para os velhos temas de pesquisa são não apenas úteis como necessárias no atual panorama social, em suas diversas instâncias: educacional, cultural, política, econômica.
    
Hoje em dia se aceita a idéia de que critérios, procedimentos, técnicas ou métodos formalizados específicos não servem necessariamente como garantia de validade ou relevância das pesquisas.
A questão é que os próprios procedimentos metodológicos vão sendo possibilitados pelas lentes teóricas e conceituais, pelas ferramentas analíticas utilizadas na pesquisa.
    
O objetivo de um projeto de pesquisa é esclarecer o caminho que será percorrido pelo pesquisador em seu trabalho de investigação, ou seja, apresentar as etapas  que estão programadas para serem vencidas, bem como os instrumentos e as estratégias a serem utilizadas.
   
O projeto, em seus vários pontos, pode ser alterado no decorrer da pesquisa. Isso é normal e até positivo, uma vez que revela eventuais descobertas de dados novos e aprofundamento de idéias pelo autor.     
  
Pensando em construir um projeto de pesquisa

As professoras estão preparadas para educar a infância inventada no século XIX, ingênua dependente de adultos, imatura e necessitada de proteção, enquanto suas salas de aula estão repletas de crianças do século XXI - cada vez mais independentes, desconcertadas, erotizadas acostumadas com a instabilidade e a insegurança.

Hoje as crianças, jovens e adultos são produzidas por diferentes artefatos da cultura e se manifestam de diferentes maneiras, dependendo do contexto social, econômicos políticos, tecnológicos em que vivem as pessoas.

A questão é quem são os alunos e o que as práticas escolares estão fazendo com esses alunos. É preciso saber como estão sendo modeladas pelas práticas escolares e que relações de poder e saber estão envolvidos na constituição das crianças e jovem do dias atuais, quanto aos profissionais da escola.

Transformações relacionadas ao uso de novas tecnologias, à globalização, que alteram as antigas formas racionais de ordenação da vida social e fazem com que os sujeitos estabeleçam outra relação com espaço e o tempo.

A escola, uma instituição moderna, tem que se ajustar às mudanças e está encontrando forma para isso, apesar da crise que a escola atravessa, ela continua forte e poderosa no imaginário social como prática educacional que carrega o estatuto de legitimidade.

È um movimento hidridização, que o importante na pesquisa educacional e tentar saber de que outra maneira as práticas escolares estão se apresentando, o que acaba produzindo outros modos de ser, com as formas atuais de organização do mundo.

Estudos Culturais

Estudos culturais têm como principal eixo de pesquisa os aspectos culturais da sociedade contemporânea em torno do qual se movimentam, circularmente, as mais variadas temáticas. O campo dos Estudos Culturais movimenta-se no entrecruzamento de diversas disciplinas. È um campo antidisciplinar que rejeita qualquer tipo de definição que se pretende fixa e/ou exata. A instabilidade pode ser apontada como uma das principais características.
“Os estudos culturais parecem ser intensamente permeáveis às mudanças históricas, à diversidade de ênfase problemática em diferentes momentos e geografia, e têm se caracterizado pelo debate amplo, pela divergência e pela intervenção” (Costa)

Os professores que adotam a perspectiva dos Estudos Sociais para realizarem suas pesquisas podem  se envolver num processo de desnaturalização de determinadas verdades referentes às práticas escolares realizadas com crianças e jovens, procurando entender que jogos de poder estão envolvidos na instituição.

Os Estudos Culturais entendem os processos culturais conectados às relações sociais e envolvidos com relações de poder, de forma que a cultura deixa de ser definida como categoria que traduz o binarismo alta cultura-baixa e passa a ser entendida de forma mais ampla.

Escola e produção cultural

Percebe-se que a escola é uma instituição cultural, no interior dela se dão, tentativas de sedução e imposição de determinados significados para servir como garantia de sucesso das práticas escolares, para que os alunos interiorizem certo modo de agir e passem a aceitar naturalmente formas de ser, estar, de se comportar.

A escola pode ser vista como um local onde se dá a produção de saberes e poderes. “Onde se dão violentos choques teóricos e práticos em torno de infinitas questões culturais” (VEIGA-NETO). Trata-se de lugar de diferentes tribos que freqüentam esse mesmo espaço, ainda de uma forma um tanto naturalizado, à imposição de seus valores, suas certezas, suas crenças, suas normas, seus códigos, enfim, suas verdades.

Verifica-se a importância e a relevância da utilização desse referencial de pesquisa, à medida que os professores, ao pesquisarem seu cotidiano profissional, estão situados no interior da escola, que é por si só um ambiente cultural carregado de determinadas formas subjetivas de viver, de compartilhar experiência, de ensinar, de aprender. “Nenhuma forma subjetiva atua, jamais, por conta própria” (JOHNSON).

Faz-se possível às professores pesquisarem de que modo as crianças e os jovens de hoje que freqüentam as suas escolas estão sendo subjetivados dentro desses espaços, os dispositivos que estão imbricados nessa subjetivação infantil, que efeitos têm esse processo de constituição de determinadas subjetividade.

Essa constituição refere-se ao enquadramento das crianças e dos jovens, num determinado código de conduta e de comportamento considerável normal e mais adequado para que se possa partilhar da experiência oferecida pela escola e fora dela.

Se os profissionais da escola começarem a pensar nas formas culturais da própria instituição e dos seus alunos, utilizando-se do referencial dos Estudos Culturais, abre-se a possibilidade dos professores passarem a revisitar algumas de suas verdades; analisar os detalhes as sutilizas, as minúcias, as astúcias, e os arranjos das diversas situações que envolvem a vida da escola e seus freqüentadores; questionar, de outro modo, algumas de suas certezas para, assim quem sabe, dar vez ao impossível em suas formas de ver, pensar e agir.

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