sexta-feira, julho 08, 2011

Profissionais são responsáveis por ambiente de trabalho Transformação do clima corporativo passa pelo humor de cada um

Estresse e mau humor são ocorrências recorrentes no ambiente de trabalho. Além de prejudicarem a performance profissional, eles refletem direto na vida pessoal das pessoas. Mas ao contrário do que pode sugerir o senso comum, o ambiente de trabalho não vem pronto, oferecido como pacote de benefícios pela empresa, numa equação em que cabe a cada um se adaptar. Há quem aposte que ele é construído e todo profissional pode contribuir positiva ou negativamente nesse processo. Se isso é verdade, de que forma você pode contribuir para melhorar seu ambiente de trabalho?

Lílian Graziano, professora de Gestão de Pessoas da Trevisan Escola de Negócios, aposta nessa tese e destaca o papel individual de cada um na obtenção de um ambiente de trabalho agradável. "Quem constrói a cultura das organizações são as pessoas que nela trabalham. Portanto, a responsabilidade individual é maior do que a institucional", diz. Na opinião dela, simples ações e comportamentos podem transformar hostilidade em passividade. "Basta ter a percepção dessa capacidade, entender que a fonte de controle da vida do profissional depende exclusivamente dele, além de ter vontade de mudar", acredita Lílian.

Mas antes de tentar alterar o ambiente externo, Jamille Barbosa Cavalcante Pereira, professora de formação de gestão humana e social da Universidade Mackenzie, recomenda que os profissionais se conheçam. "É preciso saber o que quer, o que gosta e quais são os seus objetivos. Até porque nenhum ambiente vai ser bom para uma pessoa que não sabe ao menos responder esses questionamentos", explica ela, que enfatiza a importância do gerenciamento dos próprios desejos e expectativas. "A empresa até pode gerenciar as questões de infraestrutura e propiciar condições saudáveis nesse aspecto, mas se o profissional não fizer a parte dele, de nada adiantará esse esforço", acrescenta.

Com a definição das metas profissionais, a busca pela construção de um ambiente de trabalho agradável demanda que o profissional identifique se tais metas estão ou não associadas à empresa em que trabalha. "Se a resposta for não, o momento exige uma mudança de emprego, função ou área", sugere Jamille. "A falta de ânimo para levantar e trabalhar é um dos indícios que representam essa necessidade de transformação", exemplifica ela. Caso contrário, a professora orienta que se faça uma avaliação do ambiente de trabalho para que haja adequação da situação atual. "Procure identificar os elementos que contribuem para a 'contaminação' do local em que trabalha e identifique o que você pode fazer para que eliminar esses fatores ou mesmo para que eles não o afete", aponta ela.

Quando não se consegue perseguir esse caminho sozinho, Mariângela Cifelli, caçadora de talentos da Page Personnel - Recrutamento Especializado e Gestão de Mão-de-Obra - aconselha uma conversa com o gestor. "Vale procurar os superiores em busca de auxílios e até mesmo soluções. O que não pode é permanecer desmotivado", afirma ela. Para Mariângela, essa comunicação entre subordinado e chefe deve ser constante. "Juntos podem transformar o ambiente de trabalho muito mais rápido", acrescenta.

Repense sua atitudes

Qual seria o ambiente de trabalho ideal para você? Enquanto alguns vislumbram atuar em empresas que oferecem salão de jogos, espaços para massagens e ginástica laboral para os funcionários, outros se contentam com o espaço do café para ter o famoso momento de descontração. Não importam quais serão as ferramentas adotadas, basta que o espaço empresarial seja estimulante, descontraído e alegre, onde os profissionais possam se dedicar a atividades produtivas, sem descuidar da saúde. É o que diz Mariângela. "Ambiente que pode ser construído, inclusive, sem nenhum desses aparatos. O segredo é ter bom humor", resume ela.

Segundo a professora da Trevisan, um dos caminhos em direção ao ambiente de trabalho ideal está relacionado ao cultivo de emoções positivas. "São sensações, tais como perdão, alegria e gratidão, que promovem as relações sociais", exemplifica Lílian. Ela orienta que os profissionais substituam sentimentos negativos pelos positivos. "Desenvolva o perdão ao invés da raiva, ódio ou revanche. Seja mais cordial com as pessoas, cumprimente e ajude sempre que possível. Além de melhorar convivência, amplia sua rede de relacionamentos que poderá ser muito útil a seu futuro profissional", declara ela.

É preciso ainda saber contornar o estresse e as adversidades do dia-a-dia profissional. "As cobranças e alguns descontentamentos existem, até porque esses elementos são inerentes ao mundo dos negócios", afirma Jamille, que ressalta a importância de se ter maturidade para controlar as próprias emoções. Em momentos de nervosismo, por exemplo, Lílian recomenda cautela. "A impulsividade não ajudará em nada, só congestionará ainda mais o clima organizacional. Espere os ânimos se acalmarem para refletir sobre o ocorrido e tomar a decisão mais apropriada", sugere a professora da Trevisan. De acordo com Jamille, a cidadania e o respeito contribuem para a construção de um clima mais ameno diante de tantas preocupações.

As professoras reconhecem que a tarefa não é fácil, mas garantem que a prática diária poderá incorporar o processo nas ações habituais. "Identifique suas dificuldades e tente mudá-las aos poucos. No final de cada dia faça auto-avaliação dos erros e acertos e estipule as metas para o próximo dia", recomenda Lílian. Para ela, a colaboração de um amigo também pode ser fundamental nesse processo. "Com o retorno de uma terceira pessoa será possível identificar vícios que passam desapercebidos da auto-avaliação", explica.

Cuidado, no entanto, com os colegas de trabalho pessimistas. Segundo Mariângela, a convivência com esses profissionais provoca a proliferação do mau humor. "Em qualquer ambiente de trabalho tem pessoas negativas - que adoram fazer fofocas e intrigas -, mas há também aquelas alegres. Portanto, opte em se aproximar daquelas que poderão de certa forma te trazer algum benefício", sugere ele. A caçadora de talentos propõe que se tenha bom relacionamento - não só com o líder, mas com os pares também. "Procure sempre trabalhar com o otimismo e trazer sugestões e soluções para o negócio. Livre-se da gastrite, depressão, ansiedade, perda de apetite, dor muscular e outros problemas", afirma ela.

Jamille sugere ainda que as pessoas aproveitem o tempo do café para alongar o corpo e prepará-lo para o restante da jornada de trabalho mesmo que a empresa não adote um programa de melhoria na qualidade de vida no ambiente de trabalho. "Faça intervalos no decorrer do dia para descontrair o ambiente e tomar um fôlego da rotina cansativa. Converse com os colegas, conte piadas ou até mesmo pare para tomar café ou água. Essas pausas podem descontrair o ambiente e aumentar a produtividade. Cuidado, no entanto, com os exageros", diz Jamille, que recomenda ainda maior equilíbrio entre vida e o trabalho. "Tenha uma boa alimentação e extravase a tensão do trabalho com a prática de esportes ou lazer no tempo livre", acrescenta a professora da Mackenzie.

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