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quinta-feira, julho 24, 2014

CÓDIGO DE ÉTICA DA PSICOPEDAGOGIA

Teresinha de Jesus de Paula Costa
Resumo
O presente artigo aborda o código de ética da psicopedagogia tratando-o mesmo como um instrumento capaz de nortear a práxis do psicopedagogo. Faz considerações sobre a Psicopedagogia enquanto área de atuação cujo objeto de intervenção é composto por problemas de aprendizagem; tece comentário a respeito da Profissão & Psicopedagogia, enquanto área que em breve será reconhecida oficialmente pelos órgãos legais, menciona o projeto de Lei 3124/97 do Deputado Barbosa Neto, a Resolução 003/95 do Conselho Regional de
Psicologia, cita a Resolução CES/CNE nº 1, de 3 de abril de 2001 que trata dos cursos de pós-graduação, apresenta o currículo mínimo sugerido pela Associação brasileira de Psicopedagogia para os cursos de pós-graduação; enfoca ainda questões que envolvem Profissão e o Código de Ética, por fim, menciona alterações no Código de Ética da Psicopedagogia formulado em 1992 e reformulado no biênio 95/96.

Introdução
Questões que envolvem a ética profissional, em especial a ética do psicopedagogo, perpassam a trajetória da autora desde o
curso de Especialização em Psicopedagogia. Foi nesse momento que se iniciou o estudo sobre ética, o qual resultou na monografia de final de curso, apresentado para satisfazer um dos requisitos para conclusão da Especialização no ano de 1994. Depois em 1996 o tema foi aprofundado na dissertação de mestrado com o título Ética e Psicoppedagogia: uma contribuição qualitativa em educação, a qual foi defendida em 2001.
Na jornada de estudos sobre a ética foi-se delineando um estudo sobre o código da Psicopedagogia, área na qual atuo há vários anos.
Por estar ciente de algumas questões que implicam a ética no cotidiano da psicopedagogia, tais como uso de recursos para diagnóstico e intervenção psicopedagógica; delimitação de campo de atuação e relação com outros
profissionais, optei por investigar o código de ética enquanto instrumento norteador da práxis.
Nesse espaço pretende-se refletir a respeito da psicopedagogia enquanto área de atuação e profissão sistematiza, visando contribuir para a reflexão sistemática da ética, não como algo isolado, distante da realidade, mas ciente de que ela faz parte do cotidiano, das inquietações do psicopedagogo, enfim da nossa área de atuação.
Para tecer o presente, levou-se em conta A Psicopedagogia enquanto campo de atuação, Profissão & Psicopedagogia, enquanto área que, em breve será reconhecida oficialmente pelos órgãos legais; O Psicopedagogo, como
profissional que atua nos transtornos de aprendizagem; também, questões que envolvem Profissão e Código de Ética, por fim, o Código de Ética da Psicopedagogia.

A PSICOPEDAGOGIA
O progresso traz muitas alterações à sociedade, uma delas é o desaparecimento de algumas profissões e o surgimento de outras. BARONE (1987) esclarece que o que caracteriza o aparecimento de qualquer profissão é a existência de pessoas exercendo essa função antes de sua formalização. Ressalta ainda alguns motivos para o aparecimento de toda profissão, sendo eles a demanda social, os recursos para atender à demanda e pessoas que organizam e recriam os recursos disponíveis para a demanda.
No caso da psicopedagogia, a demanda é a existência de crianças normalmente desenvolvidas que não conseguem
sucesso na escola, fato que justifica a prática psicopedagógica, ou seja, pessoas que atuam para sanar os problemas, os psicopedagogos.
NERY (Apud BOSSA, 2000, p.25), acredita que o psicopedagogo sabe que sua profissão* consiste na transmissão de conhecimentos, não sendo uma atividade neutra para ambas as partes (o sujeito que necessita de ajuda e o psicopedagogo), pois a relação de afeto que se estabelece entre o psicopedagogo e o aprendente é necessária ao desenvolvimento da relação educativa. Assim, considera a autora que o papel do psicopedagogo é levar a criança a integrar-se novamente à vida normal, respeitando sua individualidade. 
Para NERY (1986) o trabalho psicopedagógico deve estar ancorado em alguns princípios gerais, tais como: 1) acreditar que todo ser humano tem direito ao pleno acesso ao saber acumulado, representado pela cultura; 2) considerar a leitura e a escrita como ferramentas fundamentais de acesso ao saber; 3) nortear sua prática dentro dos princípios da liberdade do ser; 4) Reconhecer e assumir a dupla polaridade de seu papel-transmisão de conhecimento e compreensão dos fatores psicológicos que interferem no ato de aprender; 5) reconhecer o papel da família como transmissora da cultura, devendo analisar e compreender os mecanismos dentro da relação familiar que promovem bloqueio da aprendizagem; 6) reconhecer a escola como espaço privilegiado para a transmissão da cultura, também, o valor de outras organizações sociais ainda mantendo postura crítica frente às dificuldades geradas pela própria instituição escolar.
De acordo com o primeiro princípio, o psicopedagogo deverá trabalhar para possibilitar a todas as crianças o direito de aprender. No segundo princípio a leitura e a escrita são ferramentas fundamentais para o acesso ao saber acumulado representado pela cultura, o psicopedagogo deverá contribuir para que o educando supere o problema de aprendizagem e consiga ter acesso a esse saber.  Com o terceiro princípio o psicopedagogo deve respeitar a individualidade do ser humano e ajudá-lo na superação de suas dificuldades. O quarto princípio levanta questões de fronteiras com outras áreas, assim, o psicopedagogo deverá requerer a plena preparação e utilização de recursos disponíveis no acervo científico para uma atuação competente e responsável. O quinto princípio acentua a necessidade de o psicopedagogo reconhecer o papel da família e atuar orientando-a para fazê-la analisar e compreender fatores de sua dinâmica que interferem na aprendizagem do sujeito. Já o sexto princípio destaca a necessidade de se reconhecer a escola como espaço para transmissão de cultural, assim como sua responsabilidade, na maioria das vezes, pelos problemas de aprendizagem.
Observa-se que estes princípios contribuem para a postura ética do psicopedagogo, embora a psicopedagogia ainda não seja uma profissão e sim uma prestação de serviços.

PROFISSÂO & PSICOPEDAGOGIA
PADIM (1997) entende profissão como sendo uma atividade especializada, técnica, que oferece um produto ou serviço destinado a satisfazer benefícios aos usuários ou clientes dessa profissão. Para PAVIANI (1988), profissão é entendida como ato de professar, de exercer publicamente uma função ou modo de ser habitual.
Este autor ainda afirma, não haver dúvidas de que a profissão de uma pessoa marca sua existência, principalmente, quando ela integra inteligência e afetividade. Segundo a autora não há como separar a vida pessoal da profissional, por mais que se tente. Tal atitude, de acordo com a estudiosa (1988, p. 107), caracteriza-se como “uma tentativa de negação do humano que somente se realiza e atinge seus fins na ação, na atividade lúdica e produtiva”.
Nesse sentido, atuação profissional do sujeito é resultado da sua personalidade integral, ou seja, a profissão é influenciada por valores pessoais, por atitudes frente à vida, enfim, frente às condições de ser humano.
Ressalta PADIM (1997) que a qualidade genuína do profissional, em qualquer profissão, é servir bem aos que necessitam de seus serviços. Porém, esta definição é dada por uma lei emanada dos respectivos órgãos legislativos ou através de um compromisso resultante do consenso formado entre os próprios profissionais. Deste contexto surgem os códigos de ética de cada profissão.
Destaca CAMARGO (1999) que, para que uma atividade constitua uma profissão e para que haja uma ética profissional, são necessárias algumas condições como: 1) a atividade deve envolver operações intelectuais acompanhadas de grande responsabilidade individual; 2) deve comportar uma aprendizagem especial na área de seu conhecimento sistemático e orgânico; 3) deve dispor de organizações adequadas com atividades, obrigações e responsabilidades com consciência de grupo.
Tendo em mente que a primeira condição para que uma atividade seja considerada profissão é que ela envolva operações intelectuais, pode-se conceber que a Psicopedagogia atende a esta condição, embora BOSSA (2000) afirme que seu corpo teórico organizado ainda não lhe assegura a qualidade de saber científico.
A segunda característica para a constituição de uma profissão é comportar aprendizagem especial na área de seu conhecimento sistemático e orgânico. Neste caso, os cursos de pós-graduação em Psicopedagogia são, na maioria das vezes, os responsáveis pela formação dos psicopedagogos.
O código de ética da Psicopedagogia comporta uma aprendizagem especial na área de seu conhecimento sistemático e orgânico, sendo este instrumento conseqüência de organizações, atividades e obrigações, inclusive estabelece que “... estarão em condições de exercício da Psicopedagogia os profissionais graduados em 3º grau, portadores de certificados de curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia, ministrados em estabelecimentos de ensino oficial e /ou reconhecido, ou mediante direitos adquiridos, sendo indispensável submeter-se à supervisão e aconselhável trabalho de formação pessoal” (Código de Ética, 1996, s/p.).
A terceira condição para que uma atividade se torne profissão é que ela deve dispor de organizações adequadas com atividades, obrigações e comportar responsabilidades com consciência de grupo. A própria Associação Brasileira de Psicopedagogia contribui para que esta condição seja preenchida.
Levando-se em conta as três condições estabelecidas por CAMARGO (1999) para que uma atividade seja considerada profissão, pode-se concluir que, neste sentido, a Psicopedagogia, de fato, é uma profissão. Inclusive, a Associação Brasileira de Psicopedagogia está trabalhando para que ela venha a ser, oficialmente, uma profissão.
De acordo com informações da Associação Brasileira de Psicopedagogia, fornecidas em Abril de 1998 através de carta aos associados, assim como por comunicado publicado na revista da Associação [In: Revistas da Associação Brasileira de Psicopedagogia –17 (45)-98]. O Projeto de Lei n.º 3124/97 de 15/05/97, foi aprovado em 03/09/97 pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara Federal, foi votado pela Comissão de Educação, Cultura e Desporto em 12/09/2001, ainda terá próxima etapa que é a votação da Comissão de Constituição, Justiça e Redação.
Contudo, a tentativa de reconhecer a psicopedagogia como uma profissão regularizada vem trazendo à tona o questionamento do Conselho Regional de Psicologia (CRP), pois este órgão reclama para os psicólogos o direito exclusivo de atender os clientes que apresentam problemas de aprendizagem. Em 03 de junho de 1995, o CRP da 6º Região, emitiu documento (resolução nº 003/95) afirmando, no artigo 1º que “... é de responsabilidade do psicólogo, intransferível, a realização do psicodiagnóstico, a intervenção, e ação preventiva pertinentes à orientação psicopedagógica”. (Resolução nº 003/95, s/p.).
Argumentando contra a resolução 003/95, a Associação Brasileira de Psicopedagogia formulou documento esclarecendo que a Constituição Federal de 1988, no Capítulo que trata dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, enfoca o exercício profissional, e cita o Artigo 5º, item XIII onde se lê “... é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”. Ainda, com relação ao documento, a Associação Brasileira de Psicopedagogia salienta que “a Resolução CRP nº 003/95, ultrapassou os limites da sua competência de complementar os preceptivos que a presidem, incluindo, inovando, tarefa que lhe é vedada legal e constitucionalmente”.
O problema é que as divergências do Conselho Regional de Psicologia em relação à profissão Psicopedagogia continuam, inclusive, o CRP vem realizando eventos para discutir com os psicólogos a referida questão. Até o momento nada se modificou, nem o CRP conseguiu provar que a intervenção psicopedagógica é de exclusiva competência da Psicologia, nem a Psicopedagogia conseguiu a aprovação da mesma como profissão regulamentada.
As considerações aqui expostas têm por objetivo esclarecer a constituição da Psicopedagogia enquanto profissão. Neste aspecto, cabe refletir sobre a formação sistemática do psicopedagogo, a qual ocorre por meio de cursos de pós-graduação.

O PSICOPEDAGOGO
De modo sintético, considera-se psicopedagogo, segundo o código de ética da Associação Brasileira de Psicopedagogia, o profissional que fez curso de pós-graduação em Psicopedagogia e atua nos problemas de aprendizagem.
Estipula o Código de Ética que: “estarão em condições de exercício da Psicopedagogia os Profissionais graduados em 3º grau, portadores de certificados de cursos de Pós-Graduação de Psicopedagogia, ministrado em estabelecimento de ensino oficial e/ou reconhecido, ou mediante direitos adquiridos, sendo indispensável submeter-se à supervisão e aconselhável trabalho de formação pessoal. (Artigo 4º, s/p.).
Está bem claro que, no artigo 4º, o código de ética não define o tipo de faculdade que o interessado em Psicopedagogia deve ter cursado. Assim fica habilitado para pós-graduação qualquer pessoa que tenha concluído um curso superior. Por outro lado, o código fala de direitos adquiridos, mas não esclarece que direitos são esses e como são adquiridos. Assinala também a necessidade de o profissional submeter-se a supervisão e aconselha trabalho de formação pessoal. Submeter-se a supervisão é essencial para a atuação profissional, pois ela que contribui para a eficiência do trabalho, assim como a formação pessoal, entendida como constante atualização profissional.
O Projeto de Lei nº 3124/97, do Deputado Barbosa Neto, pretende regulamentar a profissão do psicopedagogo. Com ele pretende-se criar o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Psicopedagogia, valorizar o psicopedagogo como profissional que auxilia na identificação e na resolução dos problemas de aprendizagem, o qual tem responsabilidade de atuar nos problemas de aprendizagem escolar.
O Projeto mencionado considera que o psicopedagogo detém um corpo de conhecimentos científicos provenientes da integração de várias áreas aliadas à prática clínica e/ou institucional que abordam a multiplicidade de fatores que interferem na aprendizagem. Esclarece também que serão considerados psicopedagogos os portadores de certificado de conclusão em curso de especialização em Psicopedagogia em nível de pós-graduação, expedido por escolas ou instituições autorizadas ou credenciadas segundo a legislação vigente.
Considera-se, segundo o Projeto de Lei nº 3124/97, função de o psicopedagogo realizar intervenção visando à solução dos problemas de aprendizagem tendo como enfoque o educando, a instituição de ensino pública ou privada; efetuar o diagnóstico e intervenção psicopedagógica, utilizando métodos, instrumentos e técnicas próprias da Psicopedagogia; intervir na prevenção de problemas de aprendizagem; pesquisar cientificamente o processo ensino- aprendizagem, assim como os problemas que dele decorrem; oferecer assessoria psicopedagógica aos trabalhos realizados em espaços institucionais; coordenar, orientar e supervisionar cursos de especialização em Psicopedagogia, em nível de pós-graduação, oferecidos por instituições credenciadas.
O perfil do psicopedagogo elaborado pelo Projeto lei é riquíssimo, aponta este profissional como responsável pelo diagnóstico e pela intervenção nos problemas de aprendizagem, atribuindo a ele um saber diversificado oriundo de várias áreas do conhecimento humano. Neste sentido, vale lembrar que esse documento está em tramitação no Congresso Nacional, não tendo sido ainda aprovado. Também é relevante questionar se a formação do psicopedagogo, oferecida através de cursos de especialização e em nível de pós-graduação, pode garantir uma formação eficiente, já que as pessoas que optam pelos cursos de Psicopedagogia advêm graduação diversificada. Não se trata de realizar uma avaliação dos cursos de Psicopedagogia e sim de refletir sobre a formação dos psicopedagos, visto que muito se espera deste profissional.

FORMAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA
Concentrando a atenção sobre a questão da formação sistemática ou da formação acadêmica do psicopedagogo para o exercício dessa profissão, o próprio código de ética menciona a necessidade de que o sujeito seja graduado em terceiro grau e seja portador de certificado de Pós-Graduação em Psicopedagogia, e de que esse curso seja ministrado por instituição reconhecida. Para satisfazer esse requisito muitas faculdades e universidades estão oferecendo curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia, dentre as quais apresentaremos algumas:
Faculdade Costa Braga – Jurubatuba- SP.
UNITAU – Universidade de Taubaté – Taubaté _SP.
Fundação Educacional Jayme de Altavila – Maceió – AL.
UFBA – Faculdade de Educação – Canela – BA.
SEDES/CETIS – BA – Pituba – Salvador – BA.
UECE – Universidade Estadual do Ceará – Fortaleza
UFC – Universidade Federal do Ceará – Fortaleza
UCB- Universidade Católica de Brasília – Distrito Federal
CEUB- Centro de Ensino Unificado de Brasília – Distrito Federal
UEM – Universidade Estadual de Maringá – Paraná
Centro de Estudos Psicopedagógicos de Curitiba
Centro de Estudos Psicopedagógicos do Rio de Janeiro – CEPERJ
UNIP – Universidade Paulista – São Paulo – SP.
CECLAIR – Batatais - SP
Pontifícia Universidade Católica (PUC) – Campinas – SP.
Faculdade São Bernardo – São Bernardo – SP. .
Em geral, estes cursos são recomendados a professores de diversas áreas do ensino, orientadores educacionais, diretores de escolas, coordenadores pedagógicos, psicólogos e outros profissionais que atuam na área da educação ou que lidam com questões da aprendizagem.
Os cursos de pós-graduação em nível de especialização, de acordo com a Resolução CES/CNE no. 1, de 3 de abril de 2001, devem ser ter carga horária de trezentas e sessenta (360) horas. No tocante às disciplinas da pós-graduação a (ABPp) Associação Brasileira de Psicopedagogia sugere a seguinte constituição no currículo:
1. Introdução a Psicopedagogia (30 h)
História da Psicopedagogia
Identidade e diferenciação do psicopedagogo: papel profissional
Característica do trabalho institucional: saúde e educação
Característica do trabalho clínico
Código de ética
Estágio e supervisão: objetivos e condutas
2. Modalidade de aprendizagem do psicopedagogo – vivências e sensibilização (30h)
3. Teorias do Conhecimento e da aprendizagem (90h)
4. Neurologia e aprendizagem (30h)
(fundamentos da neurologia, fisiologia e neuropsicologia, aspectos introdutórios)
5. Contribuições das teorias psicodinâmicas para a aprendizagem (90 h)
Psicanálise, Psicologia analítica, Psicodrama
6. Intervenção Institucional (120 h)
Diagnóstico da instituição – aspectos sociais, políticos estruturais
Diagnóstico da instituição: atuação e encaminhamento
Atendimento grupal, teorias: Moreno e Pichon Reviere
Supervisão de estágios
7. Metodologia da Pesquisa Científica I (30h)
8. Semiótica e Lingüística (60 horas)
Estudo da leitura e da escrita: inicial, intermediário e avançado (alfabetização e letramento)
Estudos dos signos verbais e não verbais, seus traços comuns, sua inter-relação e as características comuns de cada um.
9. Didática e Psicopedagogia
10. Seminário de integração de conteúdo (10h)
Esta primeira etapa está voltada para práxis institucional. A segunda etapa, apresentada a seguir, é dedicada à práxis clínica:
1. Atendimento clínico (300 horas)
Diferentes abordagens; Diagnóstico; Intervenção
2. Neurologia e aprendizagem II (30 h)
(neurologia e neuropsicologia)
3. Aspectos relacionais do psicopedagogo com a família, escola, o cliente e outros profissionais (30 h)
4. Metodologia Científica – Pesquisa elaboração de projetos (30 h)
5. Modalidade de aprendizagem II (30h)
6. Contribuições das teorias psicodinâmicas para aprendizagem II (90 h)
Psicanálise; Psicologia analítica; psicodrama.
7 As diversas práxis psicopedagógicas (modelos interventivos) (100 h).
8. Estágio clínico com supervisão (100 horas).
Como conseqüência destas duas etapas sugeridas para o curso de Psicopedagogia pela ABPp, algumas instituições estão valorizando o seu caráter clínico ou institucional, possibilitando aos interessados escolherem qual dos enfoques lhes interessam, com isso os estudantes podem fazer uso de critérios mais conscientes ao optarem pela pós-graduação nesta área.
Embora a Associação Brasileira de Psicopedagogia proponha um currículo para o curso de pós-graduação não são todas as instituições de ensino que o seguem, ficando realmente a cargo dos estudantes fazerem suas escolhas.
Há instituições que ultrapassam o número mínimo de horas exigido para o curso, o qual 360, (trezentas e sessenta) horas, conforme a Resolução CES/CNE no. 1, de 3 de abril de 2001.
No que tange à diversidade na formação do psicopedagogo NOFFS (2000) aponta como alternativa que a formação em psicopedagogia seja oferecida em curso de mestrado profissionalizantes, cujo objetivo é desenvolver capacidades de concepção e elaboração de projetos dirigidos para a área profissional, garantindo a resolução de problemas imediatos, conforme ampara a Portaria n.º 80 de 16/12.98, da Fundação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Denominado mestrado profissionalizante para diferenciar-se do mestrado acadêmico, esse curso implica o desenvolvimento de capacidades de concepções e elaborações de projetos no âmbito profissional, objetivando a resolução de problemas imediatos, mas direcionados para o cotidiano.
A Associação Brasileira de Psicopedagogia sugere o estágio no curso de pós-graduação, de acordo com o seu Código de Ética elaborado em 1992, estipulava, no Artigo 4º, que além da formação em cursos de especialização em Psicopedagogia, ministrado em estabelecimento de ensino oficial ou estabelecimentos credenciados pela Associação Brasileira de Psicopedagogia, a necessidade do estágio prático. Como o código foi reformulado em 1996, este artigo foi alterado e não há menção de obrigatoriedade do estágio. Certamente, nas instituições que exigem o estágio, o curso crescerá em qualidade, visto que os alunos terão ampliação do campo conceitual e da práxis.
Nesse sentido, ganha também a Psicopedagogia visto que contará com profissionais mais qualificados. Refiro-me a profissionais porque acredito que esta área conseguirá sua formalização enquanto profissão, fato que, a meu ver, possibilitará ao psicopedagogo ser tratado como um profissional capacitado a lidar com as dificuldades de aprendizagem e que já conta com um campo vasto para sua atuação e até mesmo com um código de ética para nortear sua ação.

PROFISSÃO E CÓDIGO DE ÉTICA
Para CAMARGO (1999) a ética profissional é a aplicação da ética geral no campo das atividades profissionais.  Já para PAVIANI (1998), a ética profissional é a tentativa de legitimar princípios morais de validade comum aceitos por determinada comunidade. Assim sendo, existem os códigos de ética das diversas profissões como Direto, Medicina, Psicologia e Psicopedagogia.
A respeito dos códigos de ética acentua PAVIANI (1988, p.108), que “a ética profissional estuda códigos de ética específicos a cada área de aplicação e que na realidade seriam códigos morais, pois se limitam a normas que possibilitam um bom relacionamento interpessoal...”.
Adverte a autora que é preciso reconhecer os limites das normas, já que elas dependem de situações sociais e históricas, ainda que o fato de não existir um código de ética em determinada profissão não impede os profissionais de refletir a respeito do comportamento ético.
CAMARGO (1999) atribui, ao código de ética, a estruturação e sintetização das exigências éticas no plano de orientação, disciplina e fiscalização. Para este autor, os códigos profissionais visam a garantir os interesses dos profissionais e dos clientes, amparando seus interesses e protegendo seus relacionamentos.
Já FLORES (1993) acredita que o Código de Ética visa a proporcionar ocasiões de articular interesses individuais e coletivos, ainda que ele represente uma tentativa de elevar a consciência moral dos indivíduos na busca de inseri-los numa relação social abrangente.
Ao longo da vida, toda pessoa depara com situações inusitadas, situações que desequilibram a rotina. Nestes, e em outros momentos decisivos, o Código de Ética pode sugerir, fundamentar e amparar atitudes a serem tomadas. Contudo, ele não dá garantias de acertos, como também, não visa a criar dependências. Mas a direcionar o profissional para o interesse mútuo, ordenando as relações interpessoais com apoio na autoridade de uma comunidade, formalizando o convívio de pessoas.
Neste aspecto, PADIM (1997), nos lembra que o Código de Ética deve estar sob o controle de seu órgão representativo, e ser homologado pelo poder público e ser dado ao conhecimento de toda a sociedade. Também, enfatiza que o órgão representativo deverá contar com um Conselho de Ética, eleito pelos integrantes da profissão, para o julgamento dos profissionais que forem denunciados por violar normas do código e estabelecer as sanções necessárias.
PADIM (1997) enfatiza que o poder de julgar e punir os profissionais que não seguirem o código de Ética. O Código de Ética não tolhe a liberdade do profissional, pois ele é livre para segui-lo ou não, mas deverá ser responsável por sua escolha e arcar com as conseqüências de seus atos.
Respeitar as normas contidas num código de ética implica segundo CAMARGO (1999), a necessidade de compreender e viver a razão básica das determinações nele contidas e, evidentemente a consciência profissional por parte de cada um subordinados a esse código.
E a consciência profissional é algo que se vem plasmando aos poucos no indivíduo, conforme afirma SÁ (in Camargo, p.36). Salienta PAVIANI (1988) o fato da crise ética ser uma experiência universal presente em todas as épocas e comum a todas as classes sociais e profissões, assim ninguém pode livrar-se do ético, da constante necessidade de escolher, de decidir, do dever ser, do agir ou do saber prudencial.
Considera MAXIMIANO (apud CAMARGO, 1999, p.34), que os códigos de ética fazem parte do sistema de valores que orientam o comportamento das pessoas, grupos e das organizações e seus administradores. Então, se os códigos de ética fazem parte dos sistemas de valores que organizam o comportamento das pessoas, cabe a elas dar alma aos códigos, dar-lhes significado, ou seja, acreditar na importância deles.
As diretrizes éticas têm estado presentes em inúmeras profissões, nas quais o código de ética vem a ser um como instrumento norteador da postura dos profissionais. É o caso de áreas como a Medicina, o Direito “Código de Ética e Disciplinar do Advogado”, a Psicologia e a Psicopedagogia.

CÓDIGO DE ÉTICA DA PSICOPEDAGOGIA
O primeiro Código de Ética da Psicopedagogia foi formulado em 1992 e reformulado pelo Conselho Nacional e Nato de Psicopedagogia no biênio 95/96. Ele é composto por dez capítulos e vinte artigos abordados a seguir.
Dos Princípios (Capítulo I), neste item é realizada a definição do campo de atuação do psicopedagogo como sendo área que integra saúde e educação, e que cuida dos problemas de aprendizagem. Considera que a Psicopedagogia possui recursos próprios para o diagnóstico e intervenção psicopedagógica. Aponta a natureza deste trabalho como sendo clínica ou institucional, preventiva e curativa. Considera ainda curso de formação em pós-graduação, para o exercício da Psicopedagogia, também aponta a necessidade da supervisão, aconselha a supervisão do trabalho.
Das Responsabilidades do Psicopedagogo (Capítulo II) enfatiza a necessidade de atualização profissional, aborda o relacionamento com outros profissionais (especialistas em outras áreas), aponta para o respeito aos limites da profissão; trata do sigilo profissional visando resguarda o cliente; considera importante a colaboração do profissional para com a promoção do crescimento de suas áreas de atuação através do desenvolvimento de pesquisas.
Das Relações Com Outros Profissionais (Capítulo III) aborda a necessidade de se reconhecer os limites da Psicopedagogia, aconselha o encaminhamento quando necessário, delimitar o campo de atuação como sendo o problema de aprendizagem.
Do Sigilo (Capítulo IV) esclarece a necessidade da manutenção do sigilo e da permissão do cliente para informar a outros especialistas dados de seu desenvolvimento, assim como resultados da avaliação e acesso a prontuários.
Das Publicações Científicas (Capítulo V), este item orienta a publicação de trabalhos, a necessidade de se limitar às críticas à matéria e não ao autor; recomenda ainda o uso da ordem de prioridade ou ordem alfabética para destacar colaborados de trabalhos de pesquisa, enfatiza a necessidade de não se beneficiar da posição hierárquica que ocupa para obter privilégios; aconselha que seja indicada na bibliografia, as obras usadas no desenvolvimento de pesquisas, esclarecendo as idéias descobertas.
Da Publicidade do Profissional (Capítulo VI) fornece critérios para publicidade do profissional salientando a necessidade da honestidade ao divulgar o trabalho profissional.
Dos Honorários (Capítulo VII) aponta para a necessidade de combinar, com antecedência, horários e preço justo para diagnósticos e intervenção.
Das Relações com a Saúde e Educação (Capítulo VIII), aborda a importância de o psicopedagogo participar e refletir junto às autoridades sobre organização e desenvolvimento de projetos que abordem as questões de aprendizagem e integrem saúde e educação.
Da Observância e Cumprimento (Capítulo IX) trata da liberdade como princípio de ética, enfatiza a apuração de irregularidades no exercício da Psicopedagogia, aponta a necessidade da advertência; esclarece que as alterações do Código é de competência da ABPp.
Das Disposições Gerais (Capítulo X) esclarece a data em que o Código de Ética foi formulado, assinala que esta é a primeira alteração (1996).
Considerando que este Código foi reformulado em 1996 tratar-se-á de discorrer sobre algumas alterações.
O Artigo 1º: define a Psicopedagogia como um campo de atuação em Educação e Saúde que lida com o processo de aprendizagem humana em seus padrões normais e patológicos, considerando a influência do meio – família, escola e sociedade – no seu desenvolvimento, utilizando procedimentos próprios da Psicopedagogia. Este artigo teve sua redação alterada e desdobra nos seguintes:
Artigo 2: considera que a Psicopedagogia é de natureza interdisciplinar e utiliza recursos das várias áreas do conhecimento humano para a compreensão do ato de aprender, no sentido ontológico e filogenético, valendo-se de métodos e técnicas próprias.
Parágrafo Único: esclarece que a intervenção psicopedagógica é sempre da ordem do conhecimento relacionado com o processo de aprendizagem.
Faz-se necessário ressaltar que o artigo 3º, que rege o trabalho psicopedagógico foi alterado e recebeu a seguinte redação: “O trabalho psicopedagógico é de natureza clínica e institucional, de caráter preventivo e/ou remediativo”. (Código de Ética da Psicopedagogia).
O Artigo 4º: dá providência ao exercício da profissão:
estarão em condições do exercício da Psicopedagogia os Profissionais graduados em 3º grau, portadores de certificados de cursos de Pós-Graduação de Psicopedagogia, ministrado em estabelecimento de ensino oficial e/ou reconhecido, ou mediante direitos adquiridos, sendo indispensável submeter-se à supervisão e aconselhável trabalho de formação pessoal. (Código de Ética da Psicopedagogia).
Artigo 5º: traz esclarecimentos a respeito dos fins do trabalho psicopedagógico considerando que:
... tem como objetivo: (i) promover a aprendizagem, garantindo o bem estar das pessoas em atendimento profissional, devendo valer-se dos recursos disponíveis, incluindo a relação interprofissional; (ii) realizar pesquisas científicas no campo da psicopedagogia (Código de Ética da Psicopedagogia).
No Capítulo II, o que trata das “Responsabilidades dos Psicopedagogos”, o código estipula, no Artigo 6º, que são deveres fundamentais dos Psicopedagogos:
a) Manter-se atualizado quanto aos conhecimentos científicos e técnicos que tratem do fenômeno da aprendizagem humana;
b) Zelar pelo bom relacionamento com especialistas de outra área, mantendo uma atitude crítica, de abertura e respeito em relação às diferentes visões de mundo;
c) Assumir somente as responsabilidades para as quais esteja preparado dentro dos limites da competência Psicopedagógica;
d) Colaborar com o progresso da Psicopedagogia;
e) Difundir seus conhecimentos e prestar serviços nas agremiações de classe sempre que possível;
f) Responsabilizar-se pelas avaliações feitas fornecendo ao cliente uma definição clara do seu diagnóstico;
g) Preservar a identidade, parecer e/ou diagnóstico do cliente nos relatos e discussões feitos a título de exemplos e estudos de casos;
h) Responsabilizar-se por crítica feita a colegas destes;
i) Manter atitude de colaboração e solidariedade com colegas sem ser conivente ou acumpliciar-se, de qualquer forma, com ato ilícito ou calúnia. O respeito e a dignidade na relação profissional são deveres fundamentais do psicopedagogo para a harmonia da classe e manutenção do conceito público (Código de Ética da Psicopedagogia)
Reza o Artigo 7º, Capítulo III, que para o psicopedagogo deve manter e desenvolver boas relações com os componentes das diferentes categorias profissionais, deverá observar o seguinte:
“a) Trabalhar nos restritos limites das atividades que lhes são reservadas;
b) Reconhecer os casos pertencentes aos demais campos de especialização, encaminhando-os a profissionais habilitados e qualificados para o atendimento.”     (Código de Ética da Psicopedagogia).
Sofreu alterações o Capítulo IV, o que trata Do sigilo (Artigo 8º, 9º, 10º e 11º). Neste, é enfatizada a importância do sigilo. No Artigo 9º está previsto que o psicopedagogo não deverá revelar como testemunha, fatos de que tenha conhecimento no exercício de seu trabalho, a menos que seja intimado a depor perante autoridade competente.
O Capítulo V, que rata das Publicações Científicas também sofreu alterações na sua redação, em especial nas letras b e c, mas seu conteúdo permaneceu o mesmo, ficando redigido da seguinte maneira:
Na publicação de trabalhos científicos deverão ser observadas as seguintes normas:
a)As discordâncias ou críticas deverão ser dirigidas à matéria em discussão e não ao autor;
Em pesquisa ou trabalho em colaboração, deverá ser dada ênfase aos autores, sendo de boa norma dar prioridade na enumeração dos colaboradores, àqueles que mais contribuíram para a realização do trabalho;
b)Em nenhum caso, o psicopedagogo se prevalecerá da posição hierárquica para fazer publicar trabalhos sob sua orientação
c)Em todo trabalho científico, deve ser indicada a fonte bibliográfica utilizada, bem como esclarecidas as idéias descobertas e ilustrações de cada autor. (Código de Ética da Psicopedagogia).
O Capítulo VI, referente a Publicidade Profissional, sofreu modificação no Artigo 13º, onde a palavra dignidade foi substituída pelo termo honestidade, também. O artigo 14º também foi alterado em sua redação, sem ter, contudo modificado seu sentido.
Na redação anterior, o código apresentava um capítulo que dispunha sobre a cobrança dos honorários. Na atual, este item foi abordado no Capítulo VI, que trata da Publicidade Profissional: Artigo 13º - “O Psicopedagogo, ao promover publicamente a divulgação de seus serviços, deverá fazê-lo com exatidão e honestidade”. (Código de Ética da Psicopedagogia.).
O Artigo 14º, considera que “O psicopedagogo poderá atuar como consultor científico em organizações que visem lucro com venda, de produtos, desde que busque sempre a qualidade dos mesmos”. (Código de Ética da Psicopedagogia).
O Artigo 15º, afirma que “os honorários deverão ser fixados com cuidado a fim de que representem justa retribuição aos serviços prestados e devem ser contratados previamente”. (Código de Ética da Psicopedagogia).
O Capítulo IX, que trata da Observância e Cumprimento do Código de Ética e o Artigo 18º, apresentam modificações na redação, pois, no anterior dizia que cabe ao Conselho Nacional da Abpp, a apuração de faltas cometidas, contra este código, a avaliação e advertência quando necessária. A redação atual é a seguinte: Artigo 18º - “Cabe ao Conselho Nacional da ABPp orientar e zelar pela fiel; observância dos princípios éticos da Classe”. (Capítulo X, Código de Ética da Psicopedagogia.).
Neste mesmo capítulo houve alterações na redação do artigo 19º ressaltando que: “Código poderá ser alterado por proposta do Conselho da ABPp e aprovado em Assembléia Geral.” (Capítulo X, Código de Ética da Psicopedagogia.).
O Capítulo X, “Disposições Gerais”, em seu Artigo 20º na redação anterior (1992) dizia respeito à entrada em vigor do código de ética após sua aprovação em assembléia geral. Pela redação atual do Artigo 20, o Código de Ética entrou em vigor após sua aprovação em Assembléia Geral, realizada no 5º Encontro e 2º Congresso de Psicopedagogia da ABPp em 12/07/1992 e que sofreu a primeira alteração proposta pelo Congresso Nacional e Nato no biênio 95/96 sendo aprovado em 19/07/96, na Assembléia Geral de III Congresso Brasileiro de Psicopedagogia da ABPp, da qual resultou a presente redação.  .
No tocante às alterações, a mais significativa está no Artigo 4º, cuja redação original diz que: estão em condições de exercer a Psicopedagogia os portadores de certificados de curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia, ministrados em estabelecimento de ensino reconhecido ou credenciado pela ABPp, sendo indispensável a supervisão, o estágio prático e formação pessoal.. (Código de Ética da Psicopedagogia).
Na atual versão, não há referências à exigência ao estágio prático. Contudo, é necessário ressaltar que o curso de Especialização em Psicopedagogia não pode ser concluído sem o estágio, visto que os estudantes do mesmo advêm de áreas diversas do conhecimento, tendo como ponto comum o interesse pela área educacional. Deste modo, proporcionar estágio prático, tanto na área clínica quanto na institucional, é zelar pela qualidade dos profissionais que estão sendo formados, e pela qualidade dos trabalhos por eles oferecidos.

Considerações
O código de ética aqui abordado foi elaborado por meio do consenso da categoria profissional objetivando esclarecer princípios norteadores da profissão, para caracterizá-la, para delimitar o campo de atuação profissional, nortear a práxis, esclarecer as responsabilidades, acentuar a necessidade do respeito ao ser humano quer seja ele cliente, profissional da mesma área ou não, dentre outros, também ressaltar a necessidade do sigilo profissional.
No código de ética da Psicopedagogia foram constatadas normas que visam nortear a práxis dos profissionais e também dá a eles a liberdade de escolha para seguir ou não o Código, fato que não os isentam de responsabilidades. Assim, o código de ética da Psicopedagogia é um instrumento capaz de nortear a práxis do psicopedagogo.
Nesse sentido, acredita-se que toda categoria que se preocupa com questões éticas está zelando pelo bem estar de seus clientes, contribuindo dessa forma, para melhora da qualidade de vida das pessoas que procuram por seus serviços. No caso da Psicopedagogia, área que lida com as questões da aprendizagem, esse fato não poderia deixar de ser, porque os que a exercem estão delineando uma profissão, a qual está prestes a ser reconhecida pelos órgãos oficiais como tal, visto que já possui com um campo teórico vasto, tem instrumentos específicos para o diagnóstico e a intervenção, conta com a credibilidade da comunidade que busca, por meio de seus serviços do psicopedagogo a resolução de problemas de aprendizagem.
No que tange à formação do psicopedagogo, embora haja diversidade na graduação dos que optam por esta área, e diferenças nos currículos oferecidos pelas instituições de ensino superior, os profissionais que realmente apresentarem competência e ética permanecerão no mercado, visto que este setor é implacável com os maus profissionais.
Referências Bibliográficas
BARONE, Leda Maria. C. Psicopedagogia O Caráter Interdisciplinar na Formação e Atuação Profissional: considerações a respeito da ética. Porto Alegre: Artes Médicas, l987.
BOSSA, Nádia Ap. A Psicopedagogia no Brasil: Contribuições a Partir da Prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
CAMARGO, Marculino. Fundamentos de Ética Geral e Profissional. Rio de Janeiro: Vozes, 1999.
CÓDIGO DE ÉTICA DA ABPp. In: Revista Psicopedagogia. São Paulo. v.12, Nº25, p.36-37, ABPp, 1993.
____________, In: Revista Psicopedagogia. São Paulo. v. 15, Nº38,p.2-3, ABPp., 1996.
CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA. Resolução 003/95.
Diretrizes Norteadoras dos Curso de Psicopedagogia em Nível de Pós-Graduação. Reunião de Coordenadores de Cursos. Associação Brasileira de Psicopedagogia. Http:www.uol.com.br/psicopedagogia/cursos/diretrizes. 04. Outubro.2000
FLORES, Herval G. Ética e Conhecimento. Revista de Psicopedagogia. São Paulo, v. 12, n. 25, p.36-37,1993.
MERY, Janine. Pedagogia Curativa Escolar e Psicanálise. Porto Alegre: Artes Médicas,1986.
NOFFS, Neide de Aquino. Psicopedagogia: Superando a Fragmentação do Conhecimento e da ação. Psicopedagogia On Line. Http://
www.uol.com.br./entrevistas/psiconeide.html. Fevereiro/2000.
PADIN, Dom Cândido. Ética na Política. In: Maria Luiza Marcílio Ernesto Lopes Ramos (coordenadores). Ética na virada do século: busca do sentido da vida, São Paulo: LTr.,1997.
PAVIANI, Jaime. Problemas de Filosofia da Educação. Rio de Janeiro: Vozes, 1988.
Publicado em 27/02/2007 11:33:00


Teresinha de Jesus de Paula Costa - Pedagoga, Psicopedagoga, Mestranda em Educação pela UNISAL

quarta-feira, julho 23, 2014

AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL

1. A AVALIAÇÃO DEVE SER RESULTADO DE UM PROCESSO DE CONSTRUÇÃO COLETIVA, VOLTADO PARA A PROMOÇÃO DA:

·          pesquisa acadêmica.
·          extensão universitária.
·          qualidade social. (correta)
·          diversidade cultural.

2. DENTRE OS PRINCIPAIS OBJETIVOS DA AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL ESTÃO:
 
·          promover a aplicação de métodos e técnicas que fortaleçam apenas os resultados.
·          utilizar instrumentos de medição para descortinamento das relações sociais.
·          promover o desenvolvimento e o aperfeiçoamento das pessoas e das instituições. 
 e dados quantificáveis e estáticos.

3. EM QUANTAS DIMENSÕES O ROTEIRO DE AUTOAVALIAÇÃO INSTITUCIONAL: ORIENTAÇÕES GERAIS DIVIDIU OS TÓPICOS A SEREM ABORDADOS PELOS PROCESSOS AVALIATIVOS?

·          Em 12 Dimensões.
·          Em 05 Dimensões.
·          Em 16 Dimensões.
·          Em 10 Dimensões. 
 
4. ATUALMENTE, A PROPOSTA AVALIATIVA QUE SUBSTITUI O ENC (EXAME NACIONAL DE CURSOS) É:

·      PARU - Programa de Avaliação da Reforma Universitária.
·      NDES - Associação Nacional de Docentes do Ensino Superior.
·    PAIUB - Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras.
· ENADE - Exame Nacional de Desempenho do Estudante.

Linguagem e Pensamento - Matéria nova no Blog!!!

LINGUAGEM E PENSAMENTO

1.  Levando em conta as pesquisas de Lev Vygotsky a respeito das relações do homem com a cultura, é correto afirmar que


  •  o modo de pensar de um homem forte dita o social.
  •  não há relação entre o social e os modos de uma pessoa pensar.
  •  o social dita o modo das pessoas sem força de vontade pensarem.
  •  em certa medida, o social dita o modo de pensar de uma pessoa.

2. Os autores que defendem que a escola deve recuperar a sua identidade postulam que a escola é um lugar onde o processo pedagógico


  •  visa a desencadear o aprendizado intuitivo.
  •  intencional visa a desencadear o aprendizado.
  •  visa a desencadear o aprendizado dos professores.
  •  lúdico visa a desencadear o aprendizado.

3. Levando-se em conta os estudos de Vygotsky com relação ao modo como o processo educacional se dá, é correto afirmar que


  •  os conhecimentos, seus papéis e funções sociais são externalizados na troca com outros sujeitos.
  •  os conhecimentos, seus papéis e funções sociais são internalizados na troca com outros sujeitos.
  •  os conhecimentos são sedimentados e seus papéis e funções sociais posteriormente verbalizados.
  •  os conhecimentos são verbalizados e seus papéis e funções sociais posteriormente internalizados.

4.Levando-se em conta os resultados das pesquisas de autores que se voltaram ao estudo da história das práticas educacionais,



  • a respeito dos professores que erram na certeza de estarem de posse de uma verdade inquestionável, é correto afirmar que

  •  estão identificados a uma perspectiva teórica que julga o erro do professor culpa de sua formação.
  •  estão identificados a uma perspectiva teórica sem terem investido na reflexão sobre a prática.
  •  estão convencidos de que o erro faz parte da vida e, consequentemente, da prática.
  •  estão felizes com sua prática pedagógica sem a necessidade de investir em um estudo teórico.

Prova [Matéria nova no blog!!!]



LITERATURA, LEITURA E APRENDIZAGEM

1.COM RELAÇÃO À TIPOLOGIA TEXTUAL, PODE-SE AFIRMAR QUE:


  •  todas as tipologias textuais são puras, isto é, não existe a interferência de um tipo em outro e, por isso, não há contaminação entre eles.
  •  a divisão textual é consensual entre os lingüistas e objetiva a compreensão da linguagem expressa na oralidade.
  •  os tipos textuais de caráter informativo têm a intenção de transferir ao leitor uma notícia, uma descoberta, um dado ou um fato, divulgando-o.
  •  o texto narrativo não inclui personagens, um cenário, um problema, a ação e a resolução.

2. [QuestãoID 31362] A PRIMEIRA CRISE DA LEITURA INFANTIL NO BRASIL ACONTECEU NA DÉCADA DE 1950, SENDO QUE UMA DAS CAUSAS DESSA CRISE É ATRIBUÍDA À:


  •  universalização da televisão, que exibia diariamente muitos programas infantis sem qualidade.
  •  alienação em que se encontravam os educadores desse período.
  •  dificuldade de se encontrar material literário produzido para crianças.
  •  produção das histórias em quadrinhos.

3. LEIA ABAIXO:



  • O uso do jornal como material didático vem sendo defendido por diversos estudiosos que se demonstram preocupados com a má qualidade das aulas de Língua Portuguesa nas escolas. Sobre isso, assinale a alternativa que não é coerente em relação à utilização do jornal em sala de aula.

  •  Os estudiosos defendem que a introdução do texto jornalístico é uma excelente maneira de propiciar ao aluno um contato com a língua usada na atualidade.
  •  Antes do trabalho em sala com o jornal, é necessário o conhecimento profundo das informações contidas nos textos, suas funções e recursos lingüísticos, a fim de uma exploração e uma compreensão eficazes por parte dos alunos.
  •  O texto jornalístico possibilita ao professor abordar diversos tipos de informação por meio de atividades que levem o aluno a praticar a língua, lendo e escrevendo.
  •  A utilização do jornal, em sala de aula, impossibilita ao aluno relacionar seus conhecimentos prévios e experiência pessoal de vida com as notícias, formar novos conceitos e adquirir novos conhecimentos.

4.  ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA COM RELAÇÃO À CONTAÇÃO DE HISTÓRIA.


  •  Como toda atividade de linguagem, pressupõe apenas o interlocutor.
  •  Além da função de resgatar a cultura, a atividade de contar histórias proporciona momentos em que o ouvinte trabalha mais intensamente, e de maneira individualizada, o seu imaginário.
  •  Nessa atividade, as palavras não podem assumir toda a sua densidade, todo o seu poder de evocação.
  •  A utilização de fórmulas muito conhecidas de início de contos, como "era uma vez...", "num lugar muito distante...", "um belo dia...", não contribui para intensificar a afinidade entre o contador e o ouvinte.

Quem nunca...

...que atire a primeira pedra!.
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GESTÃO DE SISTEMAS EDUCACIONAIS [Material para estudo]

Olá galerinha aqui do PEDAGOGIA ONLINE EAD,
estou aqui para trazer mais modelos de provas para ajudar em nossos estudos!.

Quem quiser ajudar e só enviar sua prova, resumo, textos para rmaschetti@gmail.com, desta forma continuaremos a aumentar nosso acervo de conteúdo em busca de mais conhecimentos.


GESTÃO DE SISTEMAS EDUCACIONAIS
 
1. A trilogia de Bobbio se constitui em:
 
direitos, democracia e paz.
 
persistência, direitos e democracia.
 
perseverança, deveres e democracia.
 
passividade, deveres e paz.

2. Com base nas leituras realizadas, em consonância com os pressupostos educacionais antenados com o século XXI, assinale a alternativa correta.
 
O ser humano se constitui como prioridade nos sistemas educacionais.
 
As disciplinas devem ser trabalhadas isoladamente.
 
Os professores são os detentores do poder e do saber.
 
A educação para todos é uma realidade em nosso país.

3. De acordo com os estudos sobre a gestão do espaço educacional da escola, assinale a alternativa correta.

 
Não há espaço para todos participarem do exercício do poder.
 
A iniciativa e a tomada de decisões conjuntas contribuem para o sucesso da organização.
 
A burocracia agiliza o processo decisório.
 
A padronização é ingrediente fundamental para o sucesso da instituição escola.

4. Observe
A gestão escolar democrática que se desenvolve e se realiza por meio da efetiva participação precisa basear-se numa definição abrangente do conceito de "nós". Para tanto, é necessário fortalecer alguns valores, que são:

aumentar a participação nos movimentos sociais e na escola, fortalecer indivíduos e grupos em geral silenciados, criar novas formas de articular o mundo real e os problemas sociais reais com a escola.
 
aumentar a participação da escola na sociedade, frente aos 
movimentos sociais, manter-se fiel à atual política social, manter o mesmo padrão relacional com a sociedade e esperar dela a solução para os problemas do mundo.
diminuir a participação da escola com a sociedade, abster-se de opiniões acerca de políticas sociais, manter o foco no processo de aprendizagem sem se influenciar pelos problemas do mundo.
 
diminuir a participação nos movimentos sociais e na escola, não fomentar grupos silenciados que podem se rebelar, fortalecer as condutas sociais.

terça-feira, julho 22, 2014

Mulher Singular: Loja Crânio Store [Super Indico]

Para descontrair e sair um pouco da PEDAGOGIA!...

Mulher Singular: Loja Crânio Store [Super Indico]: Minha gente eu cheguei de um dia "daqueles" de trabalho e aí tive uma grande SURPRESA !. Comprinhasssssssssssssssss que che...

domingo, julho 13, 2014

Mulher Singular: Glambox de Junho - SCARF*ME

Mulher Singular: Glambox de Junho - SCARF*ME: DemorÔ... mas chegOu! ... A GLAMBOX deste mês veio super recheada com itens para te deixar linda na Copa e também com o tema namorad...


VENHA PARTICIPARRRRRRRRRRRRRR

quarta-feira, julho 02, 2014

Leitura Complementar - Pós em Psicopedagogia Clínica e Institucional


Pessoal segue mais um material complementar para fortalecer e embasar nossos estudos.


Quero crescer? quero ler e escrever? reflexões psicopedagógicas
1. Muriel Haupenthal
2. Andrea Theise
março/2007

RESUMO:
O presente artigo possui como foco um estudo de caso caracterizado por dificuldades de aprendizagem referentes à linguagem, mais especificamente a leitura e a escrita. Sendo o estudo de caso, uma prática atribuída a Psicopedagogia Clínica, apresentaremos uma breve descrição sobre a mesma. Pontuaremos também, questões pertinentes: a história vital do sujeito pesquisado, a realização da avaliação da lecto-escrita e a aplicação de provas projetivas. De posse dessas informações, estabelecemos um diagnóstico baseado na pesquisa e investigação, fazendo uso das hipóteses que nos conduziram à identificação da(s) causa(s) da(s) dificuldade(s) de aprendizagem apresentadas pelo sujeito pesquisado. A partir disso, construímos uma proposta de intervenção  psicopedagógica que resultou, na apresentação, de uma devolução para a família sobre o caso aqui apresentado. Pois, a história do sujeito estará sempre relacionada com a sua família, mais especificamente, com as representações e significações presentes nas suas interações familiares. 

Palavras-Chave: Psicopedagogia; desenvolvimento; linguagem.
O psicopedagogo deve contemplar o sujeito em sua totalidade, para compreender o processo de aprendizagem, pois a aprendizagem se dá através da construção do conhecimento e também da construção de si mesmo, como sujeito criativo e pensante, autor e autônomo. Então, para que o sujeito aprenda, é imprescindível a interseção de quatro níveis: o organismo (biológico, herdado, inato), a inteligência (objetividade, generalidades, nos torna parecidos), o corpo (construído, subjetivado) e o desejo (subjetivo, nos torna únicos, singulares).
Bossa (2000, p. 21, 22) nos fala que:
O trabalho clínico se dá na relação entre um sujeito com a sua história pessoal e sua modalidade de aprendizagem, buscando compreender a mensagem de outro sujeito, implícita no não-aprender. Nesse processo, onde investigador e objeto-sujeito de estudo interagem constantemente, a própria alteração torna-se alvo de estudo da Psicopedagogia. Isto significa que, nesta modalidade de trabalho, deve o profissional compreender o que o sujeito aprende, como aprende e por que, além de perceber a dimensão da relação psicopedagogo e sujeito de forma a favorecer a aprendizagem.
É indispensável que o psicopedagogo possa avaliar e auxiliar o sujeito em todas essas dimensões, essencialmente a do desejo, para que ele se torne capaz de aprender e realizar-se com isso, se tornando uma pessoa feliz. Para isso, Bossa (2000, p. 23) afirma que:
 No exercício clínico, o psicopedagogo deve reconhecer a sua própria subjetividade na relação, pois trata-se de um sujeito estudando outros sujeitos, em que um procura conhecer no outro aquilo que o impede de aprender, implica uma temática muito complexa. Ao psicopedagogo cabe saber como se constitui o sujeito, como este se transforma em suas diversas etapas de vida, quais os recursos de conhecimento de que ele dispõe e a forma pela qual produz conhecimento e aprende.
Uma ferramenta indispensável para a prática da Psicopedagogia Clínica, é o estudo de caso, pois o mesmo possibilita a obtenção de dados sobre o paciente que está em processo terapêutico. Durante a realização de um estudo de caso, o psicopedagogo busca diversas informações referentes ao sujeito que se encontra em tratamento, pois estes dados revelam a construção subjetiva do sujeito e a forma como ele se relaciona com o conhecimento, com o aprender. Desta forma, para Escott (2004, p.190) “o estudo de caso é um tipo de pesquisa qualitativa que tem como objeto de estudos uma unidade que se analisa em profundidade”.
Sendo assim, o estudo de um caso, é a investigação que busca construir hipóteses sobre um sujeito em especial, buscando sempre valorizar a sua história, considerando seus avanços, incentivando-o na superação das suas dificuldades e principalmente, tentando resgatar nele o prazer de aprender.
Este estudo de caso objetiva a compreensão das causas que geram dificuldades de aprendizagem, especificamente relacionadas à lecto-escrita.
A criança pesquisada, que será chamada de R., tem 9 anos, é aluna da 4ª série do Ensino Fundamental de uma escola pública, R. mora com a mãe, o pai e o irmão. Durante a entrevista sobre a história vital, que para Weiss (2000, p.61) é:
Um dos pontos cruciais de um bom diagnóstico. É ela que possibilita a integração das dimensões de passado, presente e futuro do paciente. (...) A visão familiar da história de vida do paciente traz em seu bojo seus preconceitos, normas, expectativas, a circulação dos afetos e do conhecimento.

A mãe de R. revelou ter descoberto que estava grávida dele, somente quando já estava sofrendo um princípio de aborto. Portanto, R. não foi um filho desejado, a mãe afirma que a gravidez “aconteceu” e que quando ela descobriu omitiu este fato do pai da criança, pois estavam separados, contudo, o pai acabou sabendo da notícia por terceiros.
Ao saber da gravidez, a mãe afirma que o pai de R. aceitou tranqüilamente e apoiou-a. O restante do período gestacional ela relata ter sido tranqüilo. O parto foi normal e sem nenhuma complicação segundo a mãe. Quando R. nasceu, ela, o pai de R, e seu primeiro filho, foram morar juntos, e em seguida R. começou a apresentar problemas de saúde. Aos 9 meses R. foi operado para a remoção de uma hérnia, no entanto durante o período de espera para a realização da cirurgia R. tinha uma saúde muito debilitada, e necessitava de cuidados especiais. A cirurgia correu bem, só que a mãe revela ter se traumatizado com este problema de saúde do filho, ela afirma ter se tornado “neurótica” e diz que passou a superproteger o filho desde aquela época.
R. tem um irmão de 13 anos, fruto de uma relação anterior da sua mãe. Contudo, só aos 9 anos R. ficou sabendo que o seu irmão mais velho não era filho do seu pai. Essa revelação aconteceu porque R. perguntou por que o irmão não chamava seu pai de pai, então sua mãe lhe disse que era porque ele não é pai do irmão. Em trechos da entrevista,  a mãe de R. fala que ele tem medo do escuro, medo de temporal, medo de ficar doente, etc. ela ainda comenta que foi ela que “colocou” esses medos nele. A relação de R. com esse irmão é repleta de brigas, pois a mãe diz que eles possuem comportamentos opostos, R. é muito ativo, falante, adora brincar, já o irmão é calmo, tímido, quieto.
R. mamou até os 3 anos de idade, chupou bico só durante os primeiros meses, tomou mamadeira até os 7 anos, falou e caminhou com 1 ano de idade, a mãe afirma que ele só não caminhou antes, por causa do seu problema de saúde. Sobre o controle esfincteriano a mãe relata que R. tinha “nojo” das fraldas sujas e por isso parou cedo, por volta dos 2 anos. Aos 9 anos R. ainda dorme com mãe, mora a duas quadras da escola e seus pais o levam e buscam, e quando ele vai com a mãe, eles vão  de mãos dadas até a porta da sala de aula.
A característica que a mãe mais ressalta no seu filho é a facilidade de fazer amizades e se comunicar, no entanto, ela comenta que ele não tolera ser “feito de bobo”. Para a mãe, a importância da educação e da escola na vida do seu filho é possibilitar que ele tenha um emprego melhor do que ela e seu marido. Para viver “melhor”.
R. é um menino de estatura baixa, franzino, e isso incomoda muito o seu pai que acha que o filho “tem problema” porque “não cresce”, a mãe diz que já levou no médico e que isso é normal. R. brinca na escola, preferencialmente com crianças menores e na 4ª série, sente-se deslocado, chegando a pedir até para mudar de escola. A mãe diz que R. troca muitas letras quando escreve e é desatento, inclusive revela que R. também trocava letras na fala até aproximadamente 7 / 8 anos.
Um dos principais momentos da entrevista foi quando a mãe de R. falou que “tem medo que ele cresça” e afirmou ter consciência de que estabeleceu uma “relação de dependência com ele”. Outro ponto importante do relato da mãe é quando ela desabafa “se eu tivesse dinheiro, ia fazer um tratamento, porque depois que ele ficou doente eu mudei, eu não era assim”.
No momento de encontro com R., objetivando avaliar o seu desenvolvimento na leitura e na escrita, apresentamos para ele cinco livros de historinhas diferentes, para que ele escolhesse o que mais despertava o seu interesse. R. optou pelo livro intitulado “A festa encrencada”, de Sônia Junqueira. Pedimos para que ele contasse a história para nós, e ele prontamente iniciou a leitura do livro. Pois, segundo Weiss (2000, p. 96, 97):
Não é desejável ler pedaços de um texto e sim o texto completo. Não se pode esfacelar um texto, perdendo, assim, o seu significado, fazendo-se apenas uma avaliação mecânica. É preciso resgatar, desde o diagnóstico, o hábito de ler, criando-se a idéia de atividade prazerosa.
R. demonstra ler com muita facilidade as palavras que fazem parte do seu cotidiano, do seu vocabulário. Contudo, apresenta certa dificuldade para identificar palavras que ele desconhece, parando muitas vezes de ler e pedindo nossa aprovação, nos olhando e perguntando: “está certo?”.
Aconteceram alguns fatos que merecem destaque, durante a leitura da historinha. Um deles refere-se ao fato de R. estar lendo uma página e já ir folheando a próxima página, demonstrando curiosidade e uma ansiedade muito grande em concluir a leitura. Outro detalhe diz respeito à leitura da palavra “gruta”, R. não conseguiu ler essa palavra, e fez algumas hipóteses. Porém, mais adiante a palavra aparece novamente na história, e R. lê com muita facilidade a mesma palavra, que ele antes parecia não reconhecer. Também é importante pontuar a dificuldade que R. possui de pronunciar a letra “r” , quando essa se encontra no meio das palavras, por exemplo, a palavra “dragão” ele lia “dagão”. A última consideração, que nos despertou a atenção, foi o fato de em dado momento da história, R. trocar a palavra “enorme”, por um sinônimo, “imenso”, com muita rapidez e destreza.
Após a R. acabar a leitura do livro, foi feita uma releitura da história para ele e, posteriormente, foi solicitado que ele escrevesse o que ele havia compreendido sobre aquela história. Conforme Weiss (2000, p.97) “ao final da leitura verifica-se se ele aprendeu o sentido global do texto, se é capaz de sintetizá-lo”. Ele escreveu um resumo, onde privilegiou o início e o final da história. Na escrita, verifica-se a troca ortográfica da letra “m”, pela letra “n” e vice-versa, trocas de tempos verbais e outros erros ortográficos, principalmente dúvidas quanto ao uso das letras “s”, “c” ou “ss”. No entanto, o texto apresenta estruturação lógica e organização de idéias condizentes com o esperado para um aluno de 4ª série.
            Após ler e escrever a história, foi solicitado a R. que ele fizesse um desenho da sua família. Ele demonstrou bastante satisfação ao desenhar. R. organizou o desenho da seguinte forma: ele, com menor estatura, ao lado do irmão, um pouco mais alto, a mãe, mais alta que ele e que o irmão, e o pai, o integrante mais alto da família. R. desenhou sua família dentro de uma casa, que ele referiu ser a casa que ele morava antes. No desenho da casa, R. fez divisões e desenhou um quarto para os seus pais, e um quarto para ele e para o seu irmão.
            As figuras humanas desenhas por R. revelam que o mesmo, possui uma boa construção de noção de corpo. Na sua projeção, também ficam bem claras as diferenças de gênero, sendo que a mãe está usando um vestido e tem cabelos compridos e R., seu irmão e seu pai, vestem camisas e calças e têm cabelos curtos. Todas as pessoas desenhadas encontram-se de braços abertos e muito próximas umas das outras, as feições dos rostos são muito parecidas.
            R. fez uso da borracha ao desenhar seu rosto, o rosto da mãe e o rosto do pai, os braços da mãe e do pai também foram refeitos, assim como seus pés, os pés do irmão e da mãe. Observa-se que, R. desenhou um rosto que foi apagado. Não ficando claro, a quem este rosto pertenceria. Além disso, ele desenhou seu irmão tão próximo de sua mãe, que os desenhos praticamente se sobrepõem.
            Após a realização da entrevista com a mãe (história vital), do momento de avaliação da leitura e da escrita e da aplicação da prova projetiva desenho da família, estas informações serviram para  delimitarmos nossas hipóteses e construirmos o diagnóstico. Sempre partindo da idéia de que:

O sujeito precisa ser sempre compreendido em sua totalidade. Os testes não podem ser usados dentro dos limites propostos nos seus objetivos, mas, sim, analisados como dados que permitem diferentes perspectivas na compreensão integrada do nosso paciente. (WEISS, 2000, p.122).
O processo diagnóstico norteia o fazer psicopedagógico, pois é a base de todo trabalho. Para Weiss (2000, p.32) “o objetivo básico do diagnóstico psicopedagógico é identificar os desvios e os obstáculos básicos no Modelo de Aprendizagem do sujeito que o impedem de crescer na aprendizagem”. Sendo a aprendizagem um processo, que só acontece através da interação do sujeito com o objeto e com o Outro. Para Ferreiro & Teberoski (1985, p.26):
O sujeito que conhecemos através da teoria de Piaget é um sujeito que procura ativamente compreender o mundo que o rodeia, e trata de resolver as interrogações que este mundo provoca. Não é um sujeito que espera que alguém que possui um conhecimento o transmita a ele, por um ato de benevolência. É um sujeito que aprende basicamente através de suas próprias ações sobre os objetos do mundo, e que constrói suas próprias categorias de pensamento ao mesmo tempo que organiza seu mundo.
            Cabe ao psicopedagogo ater-se profundamente a fala dos pais, para perceber o dito e o não-dito, tentando traçar uma perspectiva que revele a história daquele sujeito, que está apresentando o sintoma. Pois, é o olhar psicopedagógico para a subjetividade, que possibilita a percepção do significado do aprender para cada pessoa (significado esse atribuído fundamentalmente pela família), pois considera as questões intelectuais, cognitivas, os aspectos simbólicos e a vontade abarcada na construção da aprendizagem.
Durante a pesquisa para a elaboração de um diagnóstico, que permita compreender, as dificuldades de aprendizagem mencionadas pela família e pela escola a respeito do desenvolvimento da lecto-escrita do sujeito R., percebe-se que a dificuldade de aprendizagem de R. está muito mais relacionada ao seu desejo de não mostrar o que sabe, para não perder o papel de bebê que a mãe designou a ele. Há um contrato de sobrevivência entre R. e sua mãe, o fato dele não querer crescer, traz de certa forma vantagens para ambos. Para Paín (1985, p.37):
O crescimento da criança, sua passagem à adultez, transforma continuamente sua posição em relação ao pai e à mãe, produzindo desequilíbrios (...). As perturbações que o grupo não suporta, em função do seu particular contrato de sobrevivência.
A aprendizagem e o conhecimento estão diretamente vinculados às questões do crescimento. Aprender implica crescer, um crescer que se estabelece a partir do desejo do Outro, que atribui significados para as relações de ensino-aprendizagem, que possibilita as interações entre o sujeito e o objeto.
O não-aprender de R. na estrutura familiar que ele se encontra, significa manter o lugar que ele ocupa de bebê da casa, que, caso venha a aprender e a crescer estará impondo uma reestruturação na organização familiar vigente. Conforme, Andrade (2002, p.17) “apenas o desejo coloca em funcionamento o aparelho mental. Desejo de conhecer instala-se, então, a partir da mãe. Esse movimento de desacomodar implica muitas vezes mexer em questões difíceis de suportar”. Fernández (1991, p.100) diz que atribuir a uma pessoa um lugar dentro de um grupo familiar, a induz a desempenhar este papel.
R. representa um importante papel dentro da sua família, pois, foi ele quem uniu seus pais. Já que, durante a entrevista a mãe disse que ela e o pai de R. estavam separados, mas assim que souberam que havia “acontecido” a gravidez resolveram morar juntos. Nota-se, por diversas vezes na fala da mãe, que foi o nascimento de R. que motivou e mantém a sua união. Portanto, o fato dele não poder crescer, pode representar uma situação positiva: seus pais permanecem juntos.
Em dado momento do processo diagnóstico, a mãe verbaliza seu sentimento de angústia em relação ao crescimento do filho dizendo que “tem medo que ele cresça”. Conforme Ribeiro (2005, p.60) “para que uma criança aprenda, é necessário que ela o deseje. Entretanto,  para que esse desejo se articule é imprescindível que alguém demande isso dela”. Desta forma, R. está sintomatizando a falta de desejo e de demanda endereçados a ele. Segundo Volnovich apud Ribeiro in Wolffenbüttel (2005, p. 62):
O sintoma está no lugar de um fantasma, ou seja, o sintoma é a metáfora do sentido do fantasma. Evidentemente esse fantasma é o fantasma da criança. Mas, por sua vez, o sintoma é, (...), determinado pela estrutura desejante (‘o sintoma é a palavra da mãe’, diz Mannoni).
O desejo da mãe, de que R. continue sendo seu bebê, é explicitado em diversos momentos da entrevista realizada para aquisição de dados acerca da história vital, ela relata determinados fatos, fundamentais para o entendimento do contrato de sobrevivência existente entre os dois. Dentre eles: R. ainda dorme na cama com os pais; a mãe incentivou R. a parar de tomar mamadeira, mas depois tentou fazer com que ele tomasse novamente; ela leva e busca R. na escola que é bem próxima da sua casa; R. tem muitos medos (escuro, doença, temporal, etc.) e muitos deles só aparecem na presença da mãe.
Além disso, R. é “pequenininho” como diz mãe, bem menor em relação às outras crianças da sua idade, mas ela justifica afirmando também ser “pequenininha” e diz não se preocupar com isso, mas comenta que o pai de R. fica muito preocupado com o “tamanho” do filho. Para Rangel (2005, p.102):
Nessa concepção de corpo integralizado, entende-se que cada corpo expressa uma história individual, particular, construída e contada através de gestos, expressões, movimentos, perpassados por sentimentos, emoções, valores, crenças, advindos de aspectos sócio-culturais. É através dele que visitamos o mundo e o percebemos de maneira muito próxima.
Sendo assim, R. apenas corresponde à demanda que sua mãe lhe designa, em uma díade,  onde se estabelece o seguinte acordo: o crescimento do filho não reflete o desejo da mãe, para tanto, ele não aprende, não cresce e não desaponta essa mãe. Fica bom para todo mundo.
        
 
Com base na construção da hipótese diagnóstica, que se refere ao fato da mãe desejar que R. não cresça e este, ocupar esse “papel” de bebê, inclusive fisicamente (organicamente). Pode-se, perceber que apesar de R. estar alfabetizado, ele apresenta dificuldades de aprendizagem quanto ao fato de expandir seus conhecimentos e conseqüentemente expandir-se como sujeito. Pois, aprender e conhecer para R. pode representar entender seu papel na relação de seus pais, desapontar a sua mãe, reconhecer o seu desejo em contrapartida ao desejo da mãe. Esse revelar-se através do saber, pode significar sofrimento para R., que por isso se nega a mostrar o que sabe.
Tendo a hipótese diagnóstica estabelecida, elaboramos uma proposta de intervenção. Já que, segundo Escott (2004, p.34):
Ao psicopedagogo interessa levantar e investigar as dimensões cognitivas, afetivas, corporais e até mesmo pedagógicas, para, a partir de uma leitura dialética, intercruzando todos esses fatores, realizar a leitura global do sujeito que apresenta dificuldades na aprendizagem, organizando, dessa forma, competentemente, a intervenção psicopedagógica.
            Através das informações obtidas, observou-se uma dificuldade de aprendizagem sintoma, que tem por base a existência de um contrato de sobrevivência entre R. e sua mãe. A questão norteadora para a compreensão das dificuldades da lecto-escrita apresentadas por R., está diretamente vinculada ao desejo que a mãe possui de que ele não cresça. Portanto, R. tem todas as possibilidades de aprender, mas não pode mostrar o que sabe para não romper com o contrato de sobrevivência existente na família.
            A seguinte proposta tem por objetivo, favorecer a R. a afirmação da sua independência, da qual encontra-se privado. Promovendo a construção da sua autonomia e, conseqüentemente, liberando a sua capacidade de ação. Desvinculando-se desta relação de dependência que é mantida com a mãe. Pois, para Fernández (2001, p.91):
A autoria de pensamento é condição para a autonomia da pessoa e, por sua vez, a autonomia favorece a autoria de pensar. À medida que alguém se torna autor, poderá conseguir o mínimo de autonomia.
           
 
Com base na análise dos dados, a intervenção pensada, refere-se diretamente a propostas direcionadas ao grupo familiar. Uma vez que, o sintoma não está apenas no sujeito R., mas na estrutura de toda a família.
Para isso, sugerimos à família as seguintes ações:
  • Oportunizar através do lúdico, que R. desempenhe papéis (jogo simbólico) condizentes com a sua idade, e até, por vezes, papéis adultos. Favorecendo a aquisição da sua independência;
  • Estabelecer que R. tenha seu espaço determinado na sua casa, dormindo sozinho, cumprindo tarefas, participando das decisões e conversas familiares. Para que, desta maneira ele desenvolva responsabilidades, percebendo a sua importância e, conseqüentemente o seu lugar;
  • Autorizá-lo a realizar atividades que valorizem seu crescimento. Ex.: você pode ir e voltar sozinho da escola, pois você já é “grande” o bastante; você pode “dormir” sozinho, porque nada de mal lhe acontecerá; você pode acender o fogão, porque você vai cuidar; etc. Conversar sobre os medos e as questões que lhe afligem;
  • Possibilitar momentos de expressão da linguagem oral e escrita, contextualizados pelo desejo de R., por exemplo, jogos de videogame, que, por serem momentos de prazer, facilitariam que ele revelasse seus saberes.
Buscando, despertar o que sabiamente escreveu Freire (1983, p. 30) que:
Quando o homem compreende sua realidade, pode levantar hipóteses sobre o desafio dessa realidade e procurar soluções. Assim, pode transformá-la e com seu trabalho pode criar um mundo próprio: seu eu e suas circunstâncias. O homem enche de cultura os espaços geográficos e históricos. Cultura é tudo o que é criado pelo homem. Tanto uma poesia como uma frase de saudação. A cultura consiste em recriar e não em repetir. O homem pode fazê-lo porque tem uma consciência capaz de captar o mundo e transformá-lo.
Com base na entrevista e provas projetivas realizadas, chegamos a conclusão de que há um contrato de sobrevivência entre R. e sua mãe. Neste contrato R. deve manter-se no seu papel de bebezinho da mãe, que admite não desejar que seu filho cresça, sendo esta, ao nosso ver, a causa dos sintomas apresentados pela criança. Esta família também apresenta segredos, começando pela omissão da mãe sobre a gravidez, sendo que o pai foi informado por terceiros.
O fato de R. ter descoberto apenas aos 9 anos que seu irmão não é filho de seu pai também denota que o segredo é presente nesta família, pois esta informação lhe foi omitida por muitos anos, o que pode criar em seu imaginário a fantasia de que, já que o irmão não é filho deste pai, talvez ele também não o seja.
Em seu desenho R. faz um rosto e apaga, ficando a marca no papel, nos revelando a possibilidade de haver mais um segredo, que talvez ainda não tenha sido revelado.
Mesmo já estando alfabetizado, R. ainda apresenta dificuldades de lecto-escrita, onde quando escreve se esquece de letras no meio das palavras, e quando lê omite algumas letras, como o “r”. Em alguns momentos em seu caderno, que tivemos a oportunidade de ver, ele escreve algumas palavras pela metade, não fazendo isto no texto que produziu sobre a história que propomos.
Tendo observado o desenho da família realizado por R., concluímos que ele apresenta o desejo de se libertar do papel que lhe é imposto pela sua família, pois em seu desenho faz um quarto para ele e o irmão separado do quarto dos pais, onde a cama de seu irmão fica entre a sua cama e o quarto que desenhou para seus pais. No mesmo desenho observamos que R. se coloca distante do pai, e põe seu irmão entre ele e sua mãe. Isto contradiz a fala da mãe, que em dado momento da entrevista nos informa que muitas vezes quando ela o leva a escola é ele quem pega na sua mão para andar na rua. Acreditamos que para que ocorra o crescimento, e conseqüentemente a aprendizagem de uma forma saudável, se faz necessário libertar R. do engolfamento da mãe.
É maravilhoso o olhar que a Psicopedagogia tem sobre o sujeito, vendo-o com uma parte de um todo, compreendendo o papel que este ocupa no ambiente familiar, podendo assim ajudar não só a este, mas também todo o grupo familiar, como é o caso da família de R., onde a estrutura do casamento dos pais se apóia na vida dele, foi a gestação dele que uniu este casal, os mantendo juntos até hoje. Uma mudança no papel que R. ocupa significaria a desestruturação de todo este movimento familiar, mexendo não só com ele, mas com as posições tomadas por todos, principalmente a da mãe. 
Pois, conforme Nietzsche apud Alves (1994, p.92) “é preciso navegar. Deixando atrás as terras e os portos dos nossos pais e avós, nossos navios têm de buscar a terra dos nossos filhos e netos, ainda não vista, desconhecida”.
REFERÊNCIAS
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______ Dificuldades de Aprendizagem: o que são? Como tratá-las? Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. 119p.
CAPOVILLA, Alessandra G. S. & ANDRADE, Márcia S. de. Linguagem escrita: aspectos semânticos e fonológicos. São Paulo: Memnon, 2002. 67p.
ESCOTT, Clarice M. Interfaces entre a Psicopedagogia Clínica e Institucional: um olhar e uma escuta na ação preventiva das dificuldades de aprendizagem. Novo Hamburgo: Feevale, 2004. 136p.
FERNANDEZ, Alicia. A inteligência aprisionada: abordagem psicopedagógica clínica da criança e sua família. 2ª reediçao Porto Alegre: Artes Médicas, 1991. 261 p.
______Os idiomas do aprendente. Análise das modalidades ensinantes com famílias, escolas e meios de comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2001. 223p.
FERREIRO, Emilia; TEBEROSKY, Ana; LICHTENSTEIN, Diana Myriam. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985. 284 p.
FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. Tradução Moacir Gadotti e Lilian Lopes Martin. 6. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. 79p.
JUNQUEIRA, Sônia. A Festa encrencada. 4. ed. São Paulo: Ática, 1994. 20 p.
PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto Alegre, RS: Artes Médicas, 1985. 86 p.
RANGEL, Denise Inazacki. A história pessoal inscrita no “corpo” de cada um: uma aprendizagem constante. In: Psicopedagogia teoria e prática em discussão. Novo Hamburgo: Feevale, 2005. 240 p.
RIBEIRO, Mariane S. M. Uma leitura psicanalítica sobre as dificuldades de aprendizagem. In: Psicopedagogia teoria e prática em discussão. Novo Hamburgo: Feevale, 2005. 240 p.
WEISS, Maria Lúcia Lemme. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. 7. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000. 189 p.
WOLFFENBÜTTEL, Patrícia. Psicopedagogia teoria e prática em discussão. Novo Hamburgo: Feevale, 2005. 240 p.