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quarta-feira, novembro 07, 2018

A IMPORTÂNCIA DA LUDICIDADE E DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO CENTRO DE TRANSFORMAÇÃO AMIGOS DO BEM EM MAURITI-CE MAURITI – CE

INSTITUTO EDUCACIONAL RUYMAR GOMES – IERG
CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA
JUCENILDA DE SOUSA BODÔ
A IMPORTÂNCIA DA LUDICIDADE E DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO CENTRO DE TRANSFORMAÇÃO AMIGOS DO BEM EM MAURITI-CE
MAURITI – CE
2017
JUCENILDA DE SOUSA BODÔ
A IMPORTÂNCIA DA LUDICIDADE E DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO CENTRO DE TRANSFORMAÇÃO AMIGOS DO BEM EM MAURITI-CE
Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção do título de Licenciada em Pedagogia, pelo Instituto Educacional Ruymar Gomes – IERG.
Orientador: Professor Rui Vicente Feitoza Muniz.
MAURITI – CE
2017
JUCENILDA DE SOUSA BODÔ
A IMPORTÂNCIA DA LUDICIDADE E DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO CENTRO DE TRANSFORMAÇÃO AMIGOS DO BEM EM MAURITI-CE
Aprovada em: 10 de Janeiro de 2017.
BANCA EXAMINADORA
Professor Me.: Rui Vicente Feitoza Muniz
(ORIENTADOR)
Professor Me.: Tarciano Gomes de Morais
Professora Maria Jussara Melo de Sousa
Bodô, Jucenilda de Sousa.
A IMPORTÂNCIA DA LUDICIDADE E DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO CENTRO DE TRANSFORMAÇÃO AMIGOS DO BEM EM MAURITI-CE / Jucenilda de Sousa Bodô - 2017
1 CD-ROM: 4 ¾ pol.
CD-ROM contendo o arquivo no formato PDF do trabalho acadêmico com 28 folhas, acondicionado em caixa de DVD Slim (19 x 14 cm x 7 mm).
Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – IERG (Instituto Educacional Ruymar Gomes), Graduação em Pedagogia, Mauriti, 2017.
Orientação: Prof. Mestre Rui Vicente Feitoza Muniz.
1. Lúdico. 2. Aprendizado. 3. Formação. 4. Planejamento
DEDICATÓRIA
A Deus, que troçou o meu caminho, sonhou os meus sonhos e tornou realidade. A meu avô paterno, José Dias de Sousa (in memorian) que sempre me incentivou na caminhada estudantil, não pôde estar presente nesse momento, mas não poderia deixar de homenageá-lo, pois o seu sonho era dançar comigo a valsa da minha formatura. Saudades Eternas.
AGRADECIMENTOS
A Deus, pelo fôlego de vida concedido a mim e pelas graças alcançadas.
Ao corpo docente desta universidade, pelo apoio, incentivo e consideração na qual fui tratada por todos.
Ao meu orientador, Rui Vicente Feitoza Muniz, pelo suporte, orientações e incentivo como pesquisadora.
Aos meus pais, pela base educacional sólida, que me oportuna desfrutar da confiança acendrada na ética e moral.
Aos meus irmãos pelo apoio ofertado.
Ao meu Namorado Marcondes, pelo incentivo e paciência.
A todos que direto ou indiretamente fizeram parte da minha formação. Meu muito Obrigado.
EPÍGRAFE
“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele".
Provérbios.
TERMO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE
Declaro para todos os fins de direito e que se fizerem necessários, que assumo total responsabilidade pelo aporte ideológico e referencial conferido ao presente trabalho, isentando o Instituto Educacional Ruymar Gomes – IERG, as Coordenações do Curso, a Banca Examinadora e Orientadora do curso de todo e qualquer reflexo acerca do Artigo.
Estou ciente que poderei responder administrativa, civil e criminalmente em caso de plágio comprovado do trabalho monográfico.
Titulo do Artigo: A Importância da Ludicidade e das Práticas Pedagógicas no Processo Ensino Aprendizagem da Educação Infantil no Centro de Transformação Amigos do Bem em Mauriti - CE
Graduação em: Pedagogia
Mauriti, _______ de __________________ de_________
Assinatura do Aluno:_________________________________________________________
Nome completo do Aluno:___Jucenilda de Sousa Bodô___________ __________________
RESUMO
Este trabalho busca compreender e analisar a importância da ludicidade a das práticas educativas no processo de ensino e aprendizado. Compreender as mudanças ocorridas na vida educacional da criança, destacando-a como um ser em desenvolvimento, sendo capaz de aprender e se desenvolver. O mesmo gera discussão sobre a competência e a importância dos jogos e das brincadeiras como instrumentos de ensino e aprendizado da educação infantil no Centro de Transformação Amigos do Bem, ressaltando a importância da preparação do professor para trabalhar com a ludicidade, e ainda compreender a analisar a importância das práticas educativas e do planejamento para que os jogos e as brincadeiras inseridas na sala de aula, tornem recursos pedagógicos que contribua com o aprendizado e tornem as aulas atrativas. Pretende-se ainda, por meio desta pesquisa, trazer ao leitor, uma reflexão sobre a ação do brincar. Sabe-se que, um dos maiores desafios das instituições educacionais, nos dias atuais é tornar a sala de aula um ambiente prazeroso promovendo o aprendizado. E para que isso aconteça, é necessário que cada instituição valorize e insira os jogos e as brincadeiras na sala de aula e tornar seus profissionais competentes para a utilização dos mesmos.
Palavras chave: Lúdico, aprendizado, formação e Planejamento.
ABSTRACT
This work seeks to understand and analyze the importance of playfulness to the educational practices in the learning teaching process. Understanding the changes in the educational life of the child, highlighting it as a developing human being, being able to learn and develop. The same generates increasing discussion about the competence and the importance of games and play as teaching and learning of early childhood education at Friends Transformation Center Well, stressing the importance of teacher preparation to work with playfulness, and further comprises analyzing the importance of educational practices and planning for the games and the games entered in the classroom, make teaching resources that contribute to learning and become the attractive classes. The aim is also, through this research; bring the reader to reflect on the action of the play. It is known that one of the greatest challenges of educational institutions nowadays is to make the classroom a pleasant environment fostering learning. And for that to happen, it is necessary that each institution values and enter the game and play in the classroom and make their competent professionals for their use.
Keywords: Playfulness, learning, training and Planning.
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1 INTRODUÇÃO
A discussão no âmbito escolar neste trabalho, com relação a ludicidade e as práticas educativas na educação infantil, apresenta subsídios sobre a importância do lúdico no processo de ensino e aprendizado na instituição Amigos do Bem. Como também, traz relatos sobre as práticas educativas nesta instituição e ressalta a importância da capacitação do professor para trabalhar a ludicidade como ferramenta de ensino e aprendizagem.
Veremos que, se o educador receber capacitação e orientação para trabalhar jogos e brincadeiras em sala de aula, fará deles instrumentos para aprimorar suas práticas educativas, fazendo dosagem certa para não os tornar enfadonho. De fato, que se os jogos forem vistos como instrumentos de aprendizagem e não como instrumento de entretenimento, o ensino aprendizado acontecerá de forma prazerosa. Em vista disso, se o educador for um pesquisador e inovador, as aulas serão sempre atraentes e diversificadas.
Nesse sentido, o objetivo principal deste trabalho é apresentar a importância dos jogos e das brincadeiras recreativas para o processo de desenvolvimento no Centro de Transformação Amigos do Bem, bem como, analisar os métodos e as práticas educativas. Tendo como objetivos específicos: Analisar a importância dos jogos e das brincadeiras no processo ensino/aprendizado; discutir acerca dos jogos e das brincadeiras nas práticas docentes; discutir a importância da preparação e orientação ao professor, para trabalhar os jogos e as brincadeiras em sala de aula.
Certamente, durante muitos anos, a Educação Infantil foi vista apenas como “mecanismo de cuidar”, assim como os jogos e as brincadeiras eram tidas por estas instituições como objetos para passar o tempo. Nos dias atuais percebe-se que os jogos e as brincadeiras são fundamentais para o desenvolvimento social, motor e psíquico da criança. Como disse Piaget (1976. P 37), “A atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança”. Haja visto, que pela falta de orientação e preparação, muitos profissionais encontram-se despreparados e não sabem utilizar as brincadeiras e os objetos como instrumentos que possam ser explorados pelas crianças.
O que nos motiva a realizar esta pesquisa, é a finalidade de discutir a importância dos jogos no processo de desenvolvimento e aquisição do conhecimento. Bem como, entender até que ponto os jogos e as brincadeiras devem ser dosados e intervindos para que possibilitem o conhecimento, sem que as tornem rotineiras e aborrecidas. Bem como ressaltar a importância da preparação, orientação e acompanhamentos aos profissionais para que desenvolvam
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práticas atrativas, de modo que, faça dos objetos a das brincadeiras seus aliados para ir ao encontro dos seus objetivos.
Para fundamentar este trabalho, faremos pesquisas bibliográficas qualitativas, fundamentadas nos seguintes autores: KISHIMOTO, PIAGET, VYGOTSKY, ANTUNES, CURY, OLIVEIRA, ZANA, FREIRE e na LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). Além disso, será feita pesquisa de campo por meio de entrevista aos educadores da instituição para melhor compreensão e análise do tema estudado, bem como analisar os métodos educativos nos trabalhos com jogos, brincadeiras recreativas, exploração do espaço e dos objetos utilizados e suas colaborações para a aquisição do conhecimento. Faremos pesquisa que constate a utilização dos recursos multimeios didáticos para diversificação de aulas atrativas, a preparação dos educadores da instituição estudada, (Centro de Transformação Amigos do Bem) para a utilização dos recursos, tais como: Jogos, espaço, brinquedos e brincadeiras e materiais tecnológicos.
2 EDUCAÇÃO INFANTIL
A educação infantil teve início com a Revolução Industrial. Com a chegada da mulher no mercado de trabalho, surgiu-se a necessidade de um lugar e de pessoas que exercessem a função dos pais ou até mesmo ocupassem o seu lugar quando estivessem ausentes. Durante muitos anos, a primeira etapa da educação do indivíduo, era visto como mecanismo do cuidar para suprir necessidades. Apenas nos anos de mil novecentos e oitenta (1980), a Educação Infantil passou a ser vista com olhares diferenciados, quando estudiosos e pesquisadores voltaram seus olhares para as creches e pré-escolas com a finalidade de discutir suas funções e influências na vida das crianças.
Desde então, muitas mudanças vêm ocorrendo no contexto educacional da Educação Infantil, várias reformas foram feitas na LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). No artigo 205 da Constituição Federal de 1988 nos afirma que: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".
Somente após essas reformas que a criança passou a ser vista como um ser capaz de adquirir conhecimentos e se desenvolver nos aspectos físico, motor, social e psicológico. Vale salientar que a criança de hoje é o homem adulto de amanhã e para que seja um adulto com
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valores morais, éticos, culturais e religiosos, faz-se necessário que aprenda de pequeno. O mais sábio dos homens nos deixa claro a importância e ensinar e educar os seres pequenos, quando diz na Bíblia no livro de Provérbios Capítulo vinte e dois (22), versículo seis (6): “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele".
O homem é a criança que torna adulto, a infância é a vida inicial desse adulto, por isso, os fundamentos da aprendizagem devem ser consistentes e alicerçados no amor e na verdade. Augusto Cury nos afirma que: “o homem nasce neutro e o sistema social educa ou realça seus instintos, liberta seu psiquismo ou aprisiona. E normalmente o aprisiona”. Segundo as palavras de Augusto Cury, percebe-se que ao nascer, o indivíduo é um ser semelhante a uma folha de papel em branco. Sendo assim, por que criança mente? Por que fala palavrões? Por que em muitos momentos a criança reage de forma que nos torna inacreditável? A resposta para essas perguntas e muitas outras, Augusto Cury nos responde quando diz: “[...] O sistema social educa ou realça seus instintos, liberta seu psiquismo ou aprisiona. E normalmente o aprisiona”. Cada ensinamento, seja ele, na família, na creche, pré-escola ou sociedade, forma-se um ponto na página neutra do indivíduo e a partir dele, surgem várias linhas de conhecimento. Pensando dessa forma, vale salientar que é necessário que se analise tudo que é posto diante e para as crianças, que se faça uma reforma significativa no sistema educacional da infância, bem como, uma alta avaliação de tudo o que a mídia vem trazendo ao público infantil. Pois, é na fase da infância que se desenvolve os primeiros conceitos de ética, valores morais e humanos, como também, edificação da sua identidade intelectual, física e social.
3 A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO PARA EDUCAÇÃO A EDUCAÇÃO INFANTIL Como mencionado na introdução deste trabalho, durante muitos anos os jogos e as brincadeiras foram vistos como objetos para passar o tempo. No entanto, se consultarmos o dicionário da língua portuguesa, veremos que a palavra, lúdico está relacionada a jogos e brincadeiras. Com isso, quando falamos sobre Educação Lúdica, nos referimos ao aprendizado com alegria e satisfação. Para PIAGET (1967) “o jogo não pode ser visto apenas como divertimento ou brincadeira para desgastar energia, pois ele favorece o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e moral”.
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Com relação ao que diz PIAGET, vemos que o brincar deve ser inserido em sala de aula como: brincar para aprender e não para passar o tempo ou para divertimento. Sobre a particularidade do brinquedo educativo, KISHIMOTO nos diz que:
A função lúdica na educação: o brinquedo propicia diversão, prazer e até desprazer, quando escolhido voluntariamente a função educativa, o brinquedo ensina qualquer coisa que complete o indivíduo em seu saber, seus conhecimentos e sua apreensão do mundo. O brincar e jogar e dotado de natureza livre típica de uns processos educativos. Como reunir dentro da mesma situação o brincar e o educar. Essa e a especificidade do brinquedo educativo. (KISHIMOTO, 2003, p.37).
Contudo, percebe-se que, para que as brincadeiras proporcionem prazer pelo brincar e brincar para aprender, é necessário que os educandos se sintam livres para executar as atividades. Bem como se sintam como agentes principais do seu desenvolvimento. Além disso, é preciso que o professor esteja envolvido no mesmo processo, cabendo a ele, selecionar jogos e atividades que vão ao encontro dos seus objetivos. Vygotsky (1998) nos mostra a relevância do brincar na vida da criança. Para ele as brincadeiras imaginárias ou faz de conta como chamamos, não acontece ao a caso.
A criação de uma situação imaginária não é algo fortuito na vida da criança; pelo contrário, é a primeira manifestação da emancipação da criança em relação às restrições situacionais. O primeiro paradoxo contido no brinquedo é que a criança opera com um significado alienado numa situação real. O segundo é que, no brinquedo, a criança segue o caminho do menor esforço – ela faz o que mais gosta de fazer, porque o brinquedo está unido ao prazer – e ao mesmo tempo, aprende a seguir os caminhos mais difíceis, subordinando-se a regras e, por conseguinte renunciando ao que ela quer, uma vez que a sujeição a regras e a renúncia a ação impulsiva constitui o caminho para o prazer do brinquedo. (VYGOTSKY, 1998, p. 130)
Dessa forma, além de satisfazer a necessidade da criança, ao brincar, ela manifesta situações vividas do seu cotidiano. No faz de conta ela liberta seu pensamento e emoções, imagina e cria situações transformando seu mundo imaginário em um mundo real, promove a interação social e liberta a criatividade. Vale ressaltar, que em muitos momentos, o lúdico é trabalhado pelos pais no dia-a-dia, sem que eles percebam. Quando a mãe pergunta se a criança quer água e mostram uma “chuquinha” esperando uma sinalização que lhe faça entender a resposta, ou quando pendura no carrinho brinquedo que produza som. Por várias
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vezes a criança irá tocar no brinquedo, não porque aprendeu a tocá-lo, mas pela percepção do som e pelo movimente feito pelo brinquedo.
Como diz Paulo Freire, para ensinar é preciso conhecer. Os jogos e as brincadeiras são favoráveis para conhecer a vivência diária do aluno, já que por meio do brincar ela externa seus anseios, medos e frustrações. Assim vemos a importância do lúdico na sala de aula. Pois, além de tornar as aulas atrativas e possibilitar ao educando desenvolver suas habilidades de forma prazerosa, propicia ao professor caminhos para chegar a realidade vivida pelo educando. Vale salientar que os jogos e as brincadeiras como recursos pedagógicos devem ser levados a sério, e para que venham contribuir positivamente e chegar a algo desejado é preciso planejamento da ação, dos objetos e do espaço.
4 CAMPO DA PESQUISA
Em relação à pesquisa de campo, foi realizado estudos das práticas educativas, das atividades lúdicas realizadas nas oficinas, do espaço utilizado e o envolvimento do professor na realização das atividades. Com relação à pesquisa, a mesma está fundamentada em referências bibliográficas com análise qualitativa.
O método qualitativo diz respeito ao nível da avaliação da relevância e da significação dos problemas abordados. O método qualitativo é utilizado para descrever, relatar, compreender e classificar minuciosamente o que os autores ou especialistas escrevem sobre determinado assunto. Contudo, estabelece uma série de correlações para finalizar dando um ponto de vista conclusivo. (OLIVEIRA, 2001)
A abordagem faz uma análise descritiva qualitativa para compreensão do meio estudado. A metodologia de estudo foi por meio de entrevistas e observação minuciosa com embasamentos teóricos.
4.1 CENTRO DE TRANSFORMAÇÃO AMIGOS DE BEM: HISTÓRIA E VIVÊNCIAS
A ONG Amigos do Bem, Instituição não governamental sem fins lucrativos, surgiu no Natal do ano de mil novecentos e noventa e três (1993), quando um grupo de amigos resolve fazer a diferença, deixando familiares e amigos e fizeram sua primeira viagem ao Sertão Nordestino para levar comida, roupas, brinquedos e um pouco de alegria para muitas famílias
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da região Nordeste. Ao se depararem com tanta miséria e descaso à humanidade, o grupo de amigos se comoveram e passaram dez (10) anos consecutivos fazendo atendimento a essas famílias. Os atendimentos eram realizados entre Natal e Ano Novo.
O cenário de miserabilidade e vivência em condições subumana, na qual muitas famílias se encontravam, despertou no grupo o desejo de fazer mais. A partir de então, a vida de muitas crianças, jovens e pais de famílias, começou a ter um significado. Em dois mil e dois (2002) a fundadora do grupo, Alcione de Albanesi e seus amigos, iniciaram o projeto Transformando Vidas. O referido projeto teve início com distribuições de alimentos, medicamentos, distribuições de colchões, enxoval para mulheres grávidas, brinquedos, cadeiras de rodas e atendimentos médicos.
Assim, a Instituição mencionada foi fundada e é presidida por Alcione de Albanesi, e mantida por voluntários como: empresários, professores, médicos, dentre outros. O projeto atende nos dias atuais, nove mil e seiscentas (9.600) famílias mensalmente, nos estados de Pernambuco, Ceará e Alagoas, sendo distribuído em torno de cento e oitenta e cinco (185) toneladas de alimentos.
Os amigos do Bem acreditaram na mudança, mas para eles, a transformação só seria possível, por meio do amor, da verdade, da amizade e de uma educação de qualidade. Por isso, a ONG (organização não governamental), construiu quatro (4) centros educacionais e profissionalizantes, e a prioridade passou a ser a transformação através da educação dos jovens e das crianças. Hoje são atendidas aproximadamente cinco mil (5.000) estudantes na faixa etária de quatro (4) a vinte e um (21) anos de idade.
Um dos centros educacionais profissionalizantes, localiza-se na cidade Mauriti-Ceará no distrito Coité no Sítio Agrovila. Juntamente com a chegada do C.T. (Centro de Transformação), assim chamado por alunos e professores, vieram também a alegria e sonhos realizados. A alegria de muitos jovens realizarem seu primeiro curso profissionalizante e conquistarem seu espaço no mercado de trabalho. A alegria de muitos pais verem seus filhos conquistarem o sonho de seu primeiro emprego, a felicidades de sessenta e oito (68) jovens da cidade de Mauriti-Ce, terem a oportunidades de adentrar na Universidade por meio de bolsas de estudos doadas pelos Amigos do Bem, o brilho nos olhos de muitas mães por verem seus filhos tornarem-se seres humanos melhores.
O Centro de Transformação tem como compromisso receber os educandos ofertando condições necessárias como: alimentação, segurança, lazer, atendimento médico,
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odontológico e um ensino de qualidade incluindo cursos profissionalizantes. O projeto Amigos do bem, através do Centro de Transformação, favoreceu não somente as crianças e jovens, mas também, muitos pais e mães de famílias com oferta de emprego como: Professor, oficineiro, cozinheiro, Inspetores, zeladores, motorista e trabalho no campo com plantações de hortaliças, frutas, legumes e verduras. Muitos pais viviam da roça ou de bicos como ajudante de pedreiro, hoje, grande parte trabalha no projeto, e além de uma boa renumeração pelo seu trabalho, têm a oportunidades de acompanharem de perto a educação e o desenvolvimento de seus filhos.
4.2 OBJETIVOS DA ONG
Os Amigos do Bem têm como objetivo transformar vidas. Os mesmos acreditam que a transformação só acontecerá se tiver como alicerce: o amor, a verdade, a amizade e principalmente uma educação de qualidade. Os mesmos acreditam na transformação dos pais através da educação dos filhos.
4.3 MISSÃO
Promover desenvolvimento local e inclusão social capazes de combater a fome e a miséria, por meio de ações educacionais e projetos autossustentáveis.
4.4 VISÃO
Um futuro em que a fome e a miséria no Sertão Nordestino sejam lembradas apenas como fatos históricos.
4.5 VALORES
 Solidariedade: capacidade de colocar-se no lugar do outro e agir com amor e amizade;
 Humanidade: valorização do potencial humano;
 Transparência: relação ética e verdadeira com o público-alvo.
4.6 PREMISSA
Todo ser humano é capaz de se desenvolver plenamente, desde que lhe sejam oferecidos os recursos e as condições favoráveis para tanto. Acreditamos na capacidade de mobilização e na força do povo do Sertão Nordestino que, mesmo em condições adversas, vive com determinação e esperança.
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4.7 LEMA DOS AMIGOS DO BEM
“Que ninguém se escuse de fazer o bem
Sob o pretexto de que é pequenino,
Pois cada qual algum recurso tem,
Para valorizar o seu destino!
A fraternidade é como hino
Que juntos cantamos, quando alguém
De nós recebe o bálsamo divino
Que um gesto amigo e fraternal contém!
Em face do progresso social,
Trabalhar sempre pelo bem geral
É sagrado dever nosso!
O meu lema de vida assim descrevo:
Se não posso fazer tudo o que devo,
Devo, ao menos, fazer tudo o que posso”.
5 METODOLOGIA
Em relação à pesquisa de campo, foi realizado estudo das práticas educativas, das atividades lúdicas realizadas nas oficinas, do espaço utilizado e o envolvimento do professor na realização das atividades. Com relação à pesquisa, a mesma está fundamentada em referências bibliográficas com análise qualitativa, por meio de livros, revistas e pesquisa na internet.
O método qualitativo diz respeito ao nível da avaliação da relevância e da significação dos problemas abordados. O método qualitativo é utilizado para descrever, relatar, compreender e classificar minuciosamente o que os autores ou especialistas escrevem sobre determinado assunto. Contudo, estabelece uma série de correlações para finalizar dando um ponto de vista conclusivo. (OLIVEIRA, 2001)
Salienta-se que, a metodologia citada no referido trabalho, busca compreender os autores que defendem a temática estudada como: KISHIMOTO, PIAGET, VYGOTSKY, ANTUNES, CURY, OLIVEIRA, ZANA, FREIRE e na LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional).
A abordagem faz uma análise descritiva qualitativa para compreensão do meio estudado. A metodologia de estudo foi por meio de questionário semiestruturados e observação minuciosa com embasamentos teóricos.
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6 A IMPORTÂNCIA DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO TRABALHO COM A LUDICIDADE NO CENTRO DE TRANSFORMAÇÃO AMIGOS DO BEM
Ao chegar ao Centro de Transformação, os educandos seguem para marcar a presença no sistema SGE (Sistema de Gestão Escolar), depois lancham e seguem para a acolhida no auditório, onde são recepcionados com músicas e alegria. Após a confraternização, todos se posicionam para cantar o Hino Nacional, em seguida juntos fazem oração respeitando a religiosidade de cada um.
Como a alegria, a oração e o fazer diferente é a marca dos Amigos do Bem, as acolhidas são feitas de forma diferenciadas, a cada dia é realizada por uma oficina diferente, onde o professor tem a autonomia para fazer a sua forma. Tendo como objetivo principal, agradecer a Deus por suas maravilhas e pedir sua proteção sobre todos. Como também a participação e o envolvimento do aluno, de forma que ele se sinta útil, respeitado e valorizado.
Com relação a atuação do professor em sala de aula, ele busca promover o desenvolvimento do aluno por meio de atividades dinâmicas, levando os discentes a participarem, se desenvolverem e interagirem-se socialmente. Os educadores exploram o que de melhor o lúdico tem a lhe oferecer, além de deixar as aulas atraentes e alegres os jogos são favoráveis para o desenvolvimento do ensino aprendizado.
Pode-se ressaltar que o lúdico é a marca do Centro de Transformação, como também vale dizer que os professores recebem capacitação especializada para melhor desenvolvimento de suas práticas e para o uso dos jogos e das brincadeiras na sala de aula. A criança deseja encontrar no espaço escolar um ambiente aconchegante, onde sinta-se desejo de estar lá. Acreditando assim, é que os Amigos do Bem buscam métodos e desenvolvem práticas educativas inovadoras e dinamizadas, assim, os educadores fazem uso dos jogos educativos, bem como brincadeiras recreativas alegres, com finalidade de aprimoramento e desenvolvimento das habilidades dos educandos, e assim, as salas de aulas passam a ser ambientes prazerosos e motivadores.
Contudo, é de suma importância que as instituições educativas façam inserção do uso jogos e brincadeiras nas práticas educativas nas salas de aulas, mas é necessário que ofertem
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aos seus professionais, capacitações e orientações para o trabalho com esses materiais. Bem como, é preciso que o professor conheça o seu público estudantil, conheça bem a forma de aplicação dos jogos que for utilizar, como também estabeleça um objetivo a ser alcançado com a brincadeira. Outro ponto importante para que os jogos educativos sirvam como aliados para ir ao encontro dos objetivos do professor é o planejamento. Pois se não houver preparação, planejamento e um objetivo a ser alcançado, os jogos e as brincadeiras continuarão apenas como passa tempo, e nunca como algo que venha contribuir com o ensino e aprendizado.
6.1 A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS E DAS BRINCADEIRAS PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL DO CENTRO DE TRANSFORMAÇÃO AMIGOS DO BEM
Nos dias atuais a percepção do brincar tem mudado significativamente. O brincar faz parte do mundo da criança, no momento em que brinca, mesmo sem perceber ela se descobre e descobre o mundo a sua volta. Pensando assim, é que toda equipe pedagógica do Centro de Transformação Amigos do Bem, são assessorados por profissionais renomeados que atuam como voluntários dentro do projeto, onde oferecem suporte e treinamentos para os trabalhos com jogos e brincadeiras, como também acompanham de perto o desenvolvimento educacional dos alunos. Vejamos o que diz o RECNEI (Referencial Curricular Nacional Para Educação Infantil) sobre o papel do brincar.
O fato de a criança, desde muito cedo, poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais (BRASIL, 1998, p. 22).
Dessa forma, vemos que o mundo da criança é cheio de imaginações, e por meio do brincar, ela cria, imagina e faz de conta vivendo entre o imaginário e o mundo real. Sendo que, mesmo através do faz de conta ela desenvolve suas habilidades quando brinca. Em vista disso, precede-se que os trabalhos lúdicos realizados pelos profissionais do Bem, são fundamentados em base sólida. Por isso que o trabalho tem sido de grande relevância no desenvolvimento das habilidades dos educandos.
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Celso Antunes, um dos profissionais que tem colaborado voluntariamente com as formações e capacitações dos profissionais da instituição, nos fala a respeito dos jogos e suas contribuições para o desenvolvimento cognitivo da criança.
O jogo é o mais eficiente meio estimulador das inteligências, permitindo que o indivíduo realize tudo que deseja. Quando joga, passa a viver quem quer ser, organiza o que quer organizar, e decide sem limitações. Pode ser grande, livre, e na aceitação das regras pode ter seus impulsos controlados. Brincando dentro de seu espaço, envolve-se com a fantasia, estabelecendo um gancho entre o inconsciente e o real. (Celso Antunes, 2003 Fascículo 15.)
Com base no que diz Antunes e o RECNEI, Percebe-se a importância dos jogos e dos objetos para a aquisição do conhecimento infantil. Ao brincar, ela faz de conta, compara, assimila, cria e desenvolve, podendo ainda superar os limites no manuseio dos objetos. Podendo ainda assimilar regras dentro das brincadeiras que serão levadas em consideração na vida adulta.
Desde que nascemos, aprendemos as regras da vida brincando. Quando a mãe vai dar sopinha ao filho, faz aviãozinho, trenzinho, enfim, promove uma brincadeira para que a criança aprenda e queira se alimentar. Aprendemos a contar brincando, contando com nossos pais: “um, dois, feijão com arroz; três, quatro, feijão no prato! ”. Essas experiências passam a ser fonte de aprendizado e estímulo para outras buscas de conhecimento, porque a criança começa desde muito cedo a mergulhar no universo da brincadeira, da fantasia e do faz de conta. (Augusta Zana. P. 1)
O brincar faz parte da vida do homem. Quando criança é induzido a aprender brincando como nos mostra ZANA. Por isso, faz-se necessário que os jogos e as brincadeiras sejam inseridos em sala de aula como mecanismo de aprendizagem e desenvolvimento.
Em muitos momentos, percebe-se que os objetos lúdicos são quadrados ou usados como materiais de decoração, como nos mostra KISHIMOTO.
Os brinquedos ficam expostos como decoração e não servem de suporte ao desenvolvimento motor da criança. Móbiles são pendurados no alto, nas paredes, distantes do olhar e da mão da criança. Enfim o uso do brinquedo destina-se a decoração da sala, e não como suporte de brincadeira ou de estímulo para a
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exploração do ambiente. A falta de hábito em observar os efeitos do uso de brinquedos e brincadeiras impede profissionais de creches de compreenderem a necessidade de selecioná-los e adequá-los com interesses e nível de desenvolvimento das crianças (KISHIMOTO, 2002, P. 34).
Pode-se perceber que, mesmo sendo os objetos lúdicos de grande relevância nas práticas educativas, em outros momentos é perceptível a falta de orientação e capacitação do professor para trabalhar o lúdico como seu aliado no desenvolvimento de ensino a aprendizado.
Portanto, mais uma vez ressalta-se a importância da preparação e orientação do professor para trabalhar com a ludicidade e a importância do planejamento. Pois o que faz com que os jogos e as brincadeiras no Centro de Transformação Amigos do Bem deem certo, é a preparação dos professores para a utilização dos jogos e das brincadeiras como ferramentas pedagógicas para auxiliar suas práticas docentes. Como também, um bom planejamento, onde o professor explora todos os recursos que venham enriquecer suas aulas, buscando por meio de seus conhecimentos pedagógicos desenvolver as habilidades do aluno, respeitando-o, valorizando-o e tornando-o como agente principal na construção de seus conhecimentos
6.2 DISCUSSÃO E ANÁLISE DOS DADOS: ROTEIROS DA PESQUISA
 O que é Ludicidade para você?
Entrevistado 1:
A ludicidade são atividades, que possibilitam os momentos de prazer e interação de grupo, são aquelas atividades que nos proporciona envolver por completo. A ludicidade nos leva a ter um bem-estar e sermos plenos para brincar.
Entrevistado 2:
Existem várias formas de definir Ludicidade, as quais são usadas com frequência ou não por docentes envolvidos em instituições Públicas e Privadas. Ludicidade é uma forma de agir e interagir mediando o aprendizado do aluno, onde o envolvimento não seja somente expor o conteúdo de forma teórica, mas sim, mostrar através de dinâmicas seu real objetivo.
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O envolvimento com dinâmicas recreativas e dinâmicas corporativas faz com que o aluno aprenda a interagir e praticar seus conhecimentos em grupo, assim ele perderá a timidez, que o prende de conhecer o mundo.
 Quais são as atividades Lúdicas que você normalmente utiliza?
Entrevistado 1:
Dinâmicas que estejam de acordo com o objetivo da aula. Mas geralmente, as dinâmicas utilizadas são as que proporcionem envolver todos os alunos em um único objetivo; recrear atividades usando a individualidade e a coletividade; música de interação; jogo de raciocínio e companheirismos com cada aluno em sala.
Entrevistado2:
Brincadeiras com bambolê, com cordas, com recortes, jogos de mesa. Toda brincadeira que faça com que a criança desenvolva seu aprendizado.
 Qual a importância da atividade lúdica para o processo de desenvolvimento da criança?
Entrevistado 1:
O lúdico representa a parte mais divertida do processo de aprendizagem e o meio mais fácil de comunicar-se com a criança, pois através do lúdico a criança aprende sobre valores, limites e integração e fica mais acessível para a complementação de sua aprendizagem.
Entrevistado 2:
O lúdico representa a importância de poder proporcionar um momento de prazer. Ajudando no desenvolvimento de forma prazerosa, e também desperta seu próprio conhecimento afim de construir sua própria realidade.
 Como é feita a seleção das atividades lúdicas utilizadas nas turmas?
Entrevistado 1:
Através de brincadeiras, jogos, contos e outras, onde as mesmas atenderão as necessidades das crianças.
Entrevistado 2:
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A seleção das atividades é feita como estratégias de ensino e são elencadas conforme os objetivos traçados para cada grupo e são executadas com um direcionamento para o que se pretende alcançar.
 Para atingir os objetivos da aula nos trabalhos realizados com jogos e brincadeiras. É preciso que haja planejamento?
Entrevistado 1:
Sim. Quando há planejamento, tudo fica mais fácil. Pois o plano é um norte de direcionamento para diversas habilidades.
Entrevistado 2:
O planejamento é um caminho traçado para se chegar a um determinado objetivo. Sendo assim, faz necessário um bom planejamento para que as atividades sejam desenvolvidas com sucesso e atinjam os objetivos da aula.
 Você percebe a diferença no rendimento e no interesse dos seus alunos pelas atividades quando é utilizado o lúdico?
Entrevistado 1:
Com certeza. A aula dinâmica, além de aprender brincando, o educando desenvolvendo suas habilidades, criatividades, imaginação e diversos quesitos que o lúdico proporciona. Quando há inserção da ludicidade nas atividades o aluno fica mais interessado e motivado a aprender. Dessa forma, os alunos tornam participativos e é perceptível um maior rendimento no aprendizado dos educandos.
Entrevistado 2:
Aprender brincando é mais gostoso. Nesse caso, as aulas passam a ser mais atrativas e os alunos tornam mais participativos e dispostos a aprender.
 De que forma os Softwares educativos contribuem para o desenvolvimento do educando?
Entrevistado 1:
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Os jogos computadorizados, além de ajudar o aluno no desenvolvimento da utilização da máquina e de seus periféricos, por meio deles, os alunos desenvolvem a coordenação motora fina e grossa, desenvolve o raciocínio lógico, ajuda na concentração e percepção, colabora para o desenvolvimento da escrita e da leitura.
Entrevistado 2:
Os softwares educativos ajuda no desenvolvimento visual, motor, psicológico, auditivo, contribui para o desenvolvimento da escrita e da leitura e promove a intenção social. Os jogos computadorizados têm muito a contribuir com o desenvolvimento do aluno, mas para isso é preciso que o professor saiba conduzir o momento da brincadeira fazendo com que o aluno entenda o objetivo do jogo.
A partir das observações e das análises das respostas dos sujeitos entrevistados, ficou claro a valorização das atividades lúdicas pela instituição estudada. Foi percebível que os jogos e as brincadeiras fazem parte das práticas educativas diária dos educadores. Onde cada um tem como dever proporcionar ao aluno uma aprendizagem com satisfação. Possibilitando não apenas habilidades nos conteúdos trabalhados, mas conhecimentos de mundo. Aprendendo a interagir, a se comunicar, a trabalhar a timidez e a coletividade. Além de tornar um caminho mais fácil para se comunicar com a criança, torna a convivência agradável.
No entanto, diante das respostas obtidas, e por meio das práticas observadas, é válido ressaltar que a equipe pedagógica do Centro de Transformação Amigos do Bem, tem todo o aparato técnico, pedagógico e formação adequada para trabalhar com a ludicidade na sala de aula. Fazendo de coisas simples como: pedrinhas, folhas secar, galhos de arvores, revistas, jornais, dentre outro, um grande recurso pedagógico para enriquecer suas aulas e torna-las de grande significância no desenvolvimento do aluno.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao concluir este trabalho, acredita-se que os objetivos do mesmo foram alcançados. Por meio das pesquisas bibliográficas e da pesquisa de campo realizada, pode-se aprofundar o conhecimento sobre a importância da ludicidade para o desenvolvimento do aluno.
Por meio da pesquisa de campo, ficou nítido que o lúdico, além de desenvolver as habilidades do aluno, torna a sala atraente e enriquece a metodologia de ensino, mas para que isso aconteça, o aluno deve sentir-se livre para brincar, e o educador faz a seleção dos jogos
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traçando aos seus objetivos. Também ficou claro que o lúdico no Centro Amigos do Bem, tem grade relevância no desenvolvimento do aluno, como torna o Centro um lugar de prazer.
Com tudo, face ao exposto, vale salientar que no decorrer deste trabalho pode-se entender a importância da preparação do profissional para os trabalhos realizados com os jogos e a importância do planejamento. Dessa forma, cabe a cada instituição atentar para as práticas educativas na utilização dos jogos e das brincadeiras, proporcionando aos seus profissionais maiores habilidades por meio de capacitação e orientação. Bem como a valorização do planejamento, disponibilizando tempo e fazendo acompanhamento na realização do mesmo.
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BRASIL. RCNEI – Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil – Brasil, 1998.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.
CURY. Augusto. Citações Online. Disponível em:http://www.citador.pt/textos/a/augusto-cury. Acessado em 04 do 05 de 2016.
KISHIMOTO, T. M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 11 ed. São Paulo: Cortez, 2002. P, 34.
KISHIMOTO, T. Jogo, brinquedo, brincadeira e educação. São Paulo: Cortez, 1994. Acessado em http://doce-pedagogia.blogspot.com.br/2012/09/frases-e-citacoes-sobre-ludicidade.html. Acessado em 10 do 05 de 2016.
LDBEN. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Artigo 205 da Constituição Federal de 1988.
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PIAGET, Jean. "A formação do símbolo na criança - imitação, jogo e sonho, imagem e representação". Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978.
PIAGET. Jean. O lúdico no processo de ensino e aprendizagem (1976. P 37)
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SAGRADA. Bíblia. Provérbios C. 20. Versículo 6. SILVEIRA, Maria Inez Matoso. Modelos Teóricos e Estratégias de Leitura: suas implicações no ensino. Maceió: 2005.
VYGOTSKY, 1998, p. 130. Citações Online. Disponível em: http://citacoesacademicas.blogspot.com.br/2015/10/vygotsky-1998-p-130.html. Acessado em 13 do 05 de 2016.
ZANA, Augusta. O brincar em sala de aula a partir da perspectiva do professor. P. 1 Disponível em: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/0369.html.Acessado em 02 do 05 de 2016.

quarta-feira, setembro 06, 2017

A Importância do Desenho Infantil no Processo de Alfabetização


Autor: Alcione Vieira de Paiva e Luana Carolina Rodrigues Cardoso

Data: 26/08/2010

Resumo
Este artigo foi elaborado no segundo semestre de 2009, como pré-requisito para a obtenção do título de Especialista "Lato Sensu" em Educação Infantil, pelo Centro de Pesquisas Educacionais de Minas Gerais, CEPEMG. Abordou a importância do desenho infantil no processo de alfabetização. Os objetivos foram analisar os estágios de evolução do desenho infantil; revisar bibliografia sobre o tema e identificar a influência do desenho infantil na aquisição da escrita por crianças na faixa etária de dois a sete anos.

Introdução
Este trabalho foi motivado pelo desejo das autoras de identificar as contribuições do desenho infantil no processo na aquisição da escrita por crianças na faixa etária de dois a sete anos. Buscou-se reunir e revisar a bibliografia sobre estudos de alguns teóricos traçando um breve panorama sobre o assunto. Foram objetivos desse trabalho: analisar os estágios de evolução do desenho infantil; revisar bibliografia sobre o tema e compreender como o desenho infantil influencia no processo de alfabetização.
Muitas crianças ao chegarem ao 1º ano do ensino fundamental apresentam dificuldades de aprendizagem relacionadas à escrita. É possível que estas crianças não tenham tido oportunidades significativas de interação na educação infantil, fase na qual se desenvolve a função simbólica e consequentemente os sistemas de representação, fato que pode ter prejudicado o desenvolvimento da criança. Em situações como esta, é perceptível a importância do trabalho na educação infantil que priorize e preserve os momentos lúdicos e prazerosos, que certamente contribuirão para o desenvolvimento do desenho infantil.
Ao final do seu primeiro ano de vida, que compreende o estágio sensório-motor, descrito por Piaget (1948), a criança é capaz de manter ritmos regulares e produzir seus primeiros traços gráficos. O desenvolvimento progressivo do desenho implica mudanças significativas que, no início, dizem respeito à passagem dos rabiscos iniciais da garatuja para construções cada vez mais ordenadas, fazendo surgir os primeiros símbolos. De acordo com o mesmo autor, a função semiótica é a capacidade que a criança tem de representar objetos ou situações que estão fora do seu campo visual por meio de imagens mentais, de desenhos, da linguagem. A criança passa a desenvolver essa função no estágio pré-operatório, que compreende faixa etária de dois a sete anos.
As crianças no início dessa fase começam a representar na tentativa de interagir com o mundo que a cerca, desenvolvendo a função simbólica, entendida como ato de representação, possibilita à criança, de acordo com Ribeiro (2007) "[...] à tomada de consciência da organização do mundo e o entendimento de fatos passados, presentes e futuros [...]". Sendo assim, entende-se que a representação é requisito básico para as operações mentais.
O que constitui a função semiótica e o que a faz ultrapassar a atividade sensório-motora é a capacidade de representar um objeto ausente, por meio de símbolos ou signos, o que implica poder diferenciar e coordenar os significantes e os significados ao mesmo tempo. (PILLAR, 1996, p.26)
A cada representação que a criança faz, o jogo simbólico e o desenho passam a ser uma necessidade, e é assim que elas vão se inserindo no processo de alfabetização, desde o estágio pré-operatório, onde se inicia o processo de representação, interagindo com a escrita como se a mesma fosse um jogo que contêm regras e, contêm também o imaginário. Dessa forma a escrita deixa de ser uma representação mental e passa a ser uma representação gráfica, carregada de sentidos, assim como o desenho que, primeiro passa pelo plano da representação mental e só depois a criança passa a representá-lo graficamente. Assim o desenho infantil pode ser considerado precursor da escrita, estando diretamente relacionado ao processo de alfabetização.

1. Pressupostos Teóricos
Os primeiros estudos sobre desenho das crianças datam do final do século XIX e estão fundados nas concepções psicológicas e estéticas da época.  São os psicólogos e os artistas que descobrem a originalidade dos desenhos infantis e publicam as primeiras 'notas' e 'observações' sobre o assunto. Como escreveu o famoso pintor Pablo Picasso em relação às suas observações sobre o desenho infantil: Quando criança, eu desenhava como Rafael. À medida que fiquei mais velho, passei a desenhar como criança.
De certa forma eles transpuseram para o domínio do grafismo a descoberta fundamental de Jean Jacques Rousseau sobre a maneira própria de ver e de pensar da criança. As concepções relativas a infância modificaram-se progressivamente. A descoberta de leis próprias da psique infantil, a demonstração da originalidade de seu desenvolvimento, levaram a admitir a especificidade desse universo.
Piaget (1948) diz que a representação é gerada pela função semiótica, a qual possibilita à criança reconstruir em pensamento um objeto ausente por meio de um símbolo ou signo. A representação é condição básica para o pensamento existir, uma vez que, sem ela, não há pensamento, só inteligência puramente vivida como no nível sensório-motor. É através do surgimento da função semiótica que a criança consegue evocar e reconstruir em pensamento ações passadas e relacioná-las com as ações atuais. Essa passagem é possível por interações da criança com o ato de desenhar e com desenhos de outras pessoas. Na garatuja, a criança tem como hipótese que o desenho é simplesmente uma ação sobre uma superfície, e ela sente prazer ao constatar os efeitos visuais que essa ação produziu. No decorrer do tempo, as garatujas, que refletiam o prolongamento de movimentos rítmicos de ir e vir transformam-se em formas definidas que apresentam maior ordenação, e podem estar se referindo a objetos naturais, objetos imaginários ou mesmo a outros desenhos. Na evolução da garatuja para o desenho de formas mais estruturadas, a criança desenvolve a intenção de elaborar imagens no fazer artístico. Começando com símbolos muito simples, ela passa a articulá-los no espaço do papel, na areia, na parede ou em qualquer outra superfície.
Passa também a constatar a regularidade nos desenhos presentes no meio ambiente e nos trabalhos aos quais ela tem acesso, incorporando esse conhecimento em suas próprias produções. No início, a criança trabalha sobre a hipótese de que o desenho serve para imprimir tudo o que ela sabe sobre o mundo. No decorrer da simbolização, a criança incorpora progressivamente regularidades ou códigos de representação das imagens do entorno, passando a considerar a hipótese de que o desenho serve para imprimir o que se vê.
É assim que, por meio do desenho, a criança cria e recria individualmente formas expressivas, integrando percepção, imaginação, reflexão e sensibilidade, que podem então ser apropriadas pelas leituras simbólicas de outras crianças e adultos.
O desenho como possibilidade de brincar, o desenho como possibilidade de falar de registrar, marca o desenvolvimento da infância, porém em cada estágio, o desenho assume um caráter próprio. Estes estágios definem maneiras de desenhar que são bastante similares em todas as crianças, apesar das diferenças individuais de temperamento e sensibilidade. Esta maneira de desenhar própria de cada idade varia, inclusive, muito pouco de cultura para cultura.
Pillar (2006) afirma que a criança não nasce sabendo desenhar, que este conhecimento é construído a partir da sua relação direta com o objeto, assim são suas estruturas mentais é que definem as suas possibilidades quanto a representação e interpretação do objeto. Assim a criança é o sujeito de seu processo, ela aprende a desenhar a partir de sua interação com o desenho. Vários teóricos seguem essa linha teórica quanto ao desenho infantil, dentre eles Luquet(1969), Piaget (1948), Gardner(1999), Méredieu (1995) dentre outros.
Luquet (1969) foi um dos primeiros teóricos a se interessar pelo desenho infantil, analisando-o numa abordagem cognitiva. O autor buscou respostas para questões relativas o quê e como a criança desenhava, assim como suas intenções e interpretações. Aborda os 'erros' e 'imperfeições' do desenho da criança que atribui a 'inabilidade' e 'falta de atenção', além de afirmar que existe uma tendência natural e voluntária da criança para o realismo.
Em Méredieu(1995), Luquet distingue quatro estágios do desenho infantil: o Realismo fortuito: começa por volta dos 2 anos e põe fim ao período chamado rabisco. A criança que começou por traçar signos sem desejo de representação descobre por acaso uma analogia com um objeto e o seu traçado passa a nomear seu desenho; Realismo fracassado: por volta dos 3 a 4 anos tendo descoberto a identidade forma-objeto, a criança procura reproduzir esta forma. Surge então uma fase de aprendizagem pontuada de fracassos e de sucessos parciais; Realismo intelectual: estendendo-se dos 4 aos 10-12 anos, é o principal estágio e caracteriza-se pelo fato que a criança desenha do objeto não aquilo que vê, mas aquilo que sabe.
Enfim, aos quatro anos, a criança chega ao realismo visual cuja principal manifestação é a submissão mais ou menos infeliz na execução à perspectiva. (Luquet, 1969, p.212)
 A análise dos estudos piagetianos mostram que o desenvolvimento do desenho segue os mesmos estágios de Luquet (1969), no entanto são analisados dentro da perspectiva das fases do desenvolvimento infantil da representação. Piaget classifica as fases do desenho como:
  • Garatuja: Faz parte da fase sensório motora (0 a 2 anos) e parte da fase pré-operatória (2 a 7 anos). A criança demonstra extremo prazer nesta fase. A figura humana é inexistente ou pode aparecer da maneira imaginária. A cor tem um papel secundário, aparecendo o interesse pelo contraste, mas não há intenção consciente. A fase da garatuja pode ser dividida em outras duas partes:
  • Desordenada: movimentos amplos e desordenados. Com relação a expressão, vemos a imitação "eu imito, porém não represento". Ainda é um exercício, simples riscos ainda desprovidos de controle motor, a criança ignora os limites do papel e mexa todo o corpo para desenhar, avançando os traçados pelas paredes e chão. As primeiras garatujas são linhas longitudinais que, com o tempo, vão se tornando circulares e, por fim, se fecham em formas independentes, que ficam soltas na página. No final dessa fase, é possível que surjam os primeiros indícios de figuras humanas, como cabeças com olhos.
  • Ordenada: movimentos longitudinais e circulares; coordenação viso-motora. A figura humana pode aparecer de maneira imaginária, pois aqui existe a exploração do traçado; interesse pelas formas.
    Nessa fase inicia-se o jogo simbólico: "eu represento sozinho". Ocorre a mudança de movimentos; formas irreconhecíveis com significado; atribui nomes, conta histórias. A figura humana pode aparecer de maneira imaginária, aparecem sóis, radiais e mandalas. Dentro da fase pré-operatória, aparece a descoberta da relação entre desenho, pensamento e realidade. Quanto ao espaço, os desenhos são dispersos inicialmente, não relaciona entre si. Então aparecem as primeiras relações espaciais, surgindo devido à vínculos emocionais. A figura humana torna-se uma procura de um conceito que depende do seu conhecimento ativo, inicia a mudança de símbolos. Quanto a utilização das cores, pode usar, mas não há relação ainda com a realidade, dependerá do interesse emocional. Dentro da expressão, o jogo simbólico aparece como: "nós representamos juntos". Já conquistou a forma e seus desenhos têm a intenção de reproduzir algo. Ela também respeita melhor os limites do papel. Mas o grande salto é ser capaz de desenhar um ser humano reconhecível, com pernas, braços, pescoço e tronco.
    De acordo com Piaget (1948), no estágio pré-esquemático, que inicia-se por volta dos quatro anos e se estende até os sete anos. Após esta fase a criança com idade entre sete e nove anos entra no estágio esquemático, e após os nove anos passa para o estágio do realismo nascente, vale ressaltar que estes estágios compreendidos entre os sete e onze anos estão dentro do período das operações concretas. Estes estágios não são estáticos, imutáveis, existem crianças que pulam alguns estágios de desenvolvimento e  crianças que param de se desenvolver devido a vários fatores que influenciam em sua vida, como deficiências física ou mental, como família, situação social e econômica ou distúrbios psicológicos.
    Gardner(1999) faz uma abordagem cognitiva baseada em Piaget, e uma análise afetiva, baseada em sistemas de simbolização. Este autor considera que o desenvolvimento do desenho infantil, divide-se em quatro movimentos. São movimentos que mantêm sua essência, sendo maleáveis e modificando-se mediante as intervenções externas, ou seja, pelo meio sócio-cultural, pela família e pelo educador. Há necessidade de que haja uma compreensão desses quatro movimentos e de tudo que os envolvem porque cada um tem sua beleza e significação. Estudá-los é estar se fundamentando para poder fazer uma boa leitura da expressão artística da criança.

2. O desenho e o processo de alfabetização
A partir dos estudos realizados é possível dizer que existe uma estreita relação entre a evolução da escrita e a do desenho. Para Ferreiro citada por Ribeiro (2007) a aprendizagem da língua escrita á a construção de um sistema de representação, assim como o desenho. A aprendizagem, nesse enfoque, converte-se na apropriação de um novo objeto de conhecimento, ou seja, em uma aprendizagem conceitual. [...] para conhecer os objetos, é preciso agir sobre eles de maneira a decompô-los e a recompô-los. (PIAGET, 1948, p.8)
[...] para que a criança se aproprie do sistema de representação da escrita, ela terá que reconstruí-lo, diferenciando os elementos e as relações próprias ao sistema, bem como a natureza do vínculo entre o objeto de conhecimento e a sua representação. (PILLAR, 1996, p.32)
As pesquisas realizadas por Emília Ferreiro indicam que cada sujeito, no processo de construção da escrita, parece refazer o caminho percorrido pela humanidade, qual seja: Pictográfica: forma de escrita mais antiga que permitia representar só os objetos que podiam ser desenhados: desenho do próprio objeto para representar a palavra solicitada. Ideográfica: consistia no uso de um simples sinal ou marca para representar uma palavra ou conceito: uso de símbolos diferentes para representar palavras diferentes. Logográfica: escrita constituída por desenhos, referentes ao nome dos objetos e não ao objeto em si.
Assim como as primeiras civilizações faziam inscrições na pedra e a "escrita" representava o próprio objeto, para Ferreiro citada por Ribeiro (2007), a criança associa o significante ao significado. Sendo assim, considerando a escrita como sistema de representação, a autora observa que [...] quando uma criança começa a escrever, produz traços visíveis sobre o papel, e além disso, e fundamentalmente, põe em jogo suas hipóteses acerca do significado mesmo da representação gráfica. (RIBEIRO, 2007,p. 40)
Na pesquisa realizada por Emília Ferreiro e Ana teberosky (1999) sobre a aquisição do sistema de escrita, concluiu que havia níveis nesse desenvolvimento. Os níveis descritos pelas autoras são: pré-silábico, silábico, silábico-alfabético e alfabético.
O nível Pré-silábico I, em m que a criança acredita que escrever é reproduzir ou imitar os traços da escrita do adulto. Nesta etapa a criança pode ter a intenção de produzir marcas diferenciando desenhos de letras ou outros códigos, mas sua escrita ainda não pode funcionar como um veículo informativo.e Pré-silábico II. Se a forma básica de escrita que a criança tem contato for letra de imprensa, fará rabiscos separados, com linhas retas e curvas; se for letra cursiva fará rabiscos ondulados.
No nível pré-silábico II a criança já usa letras ou criam pseudoletras, quando ainda não dominam as letras convencionais do nosso alfabeto para escreverem algo. A criança pensa que é possível ler nomes diferentes com grafias iguais; Posteriormente a criança  nega esta sua hipótese, porque acredita que, para ler nomes diferentes, eles devem ser escritos com letras diferentes.
Ainda de acordo com Ferreiro e Teberosky (1999), a criança passa por uma fase em que ocorre o que denomina eixo quantitativo da escrita. A criança, de um modo geral, exige um mínimo de três letras para o escrito ser uma palavra. As palavras como pé, sol, rua, lar e outras, segundo ela não poderão ser lidas porque tem poucas letras. São rejeitadas, em função do critério interno de quantidade. O adulto que, normalmente, lê artigos, preposições, conjunções e outros, jamais suspeitariam desse critério que a criança utiliza. Daí a ênfase de Emília Ferreiro no sentido de que o processo de alfabetização tem que ser visto do ponto de vista de quem aprende (aluno) e não daquele que ensina (professor).
Segundo as autoras, a criança pode vir a passar por momentos onde afirmam que para que se possa ler ou escrever uma palavra, torna-se necessário, também, variedade de caracteres gráficos. As palavras que possuem letras iguais são também rejeitadas. A criança acredita que "não servem para ler". De acordo com este critério de variedade, para possibilitar a leitura, é preciso haver letras variadas nas palavras.
Outro ponto a ressaltar, é que numa determinada fase, a criança não separa letras de números. Costuma, às vezes, escrever colocando numerais junto às letras, já que ambos envolvem linhas retas e curvas. A característica observada é que a criança acredita que os nomes das pessoas, animais ou objetos devem ter nomes grandes. Por conseguinte, as coisas pequenas terão nomes pequenos. É o que chamamos de realismo nominal lógico.
Posteriormente as formas gráficas adquirem maior proximidade com as letras convencionais. As crianças interagem com outros sistemas notacionais, como por exemplo, os números fazendo distinção entre os símbolos (letras) que são usadas na escrita de outras formas de produção (desenhos, números, placas e outros).
No nível silábico, a  criança começa a escrever como uma produção controlada pela segmentação silábica da palavra. A escrita neste nível constitui um grande avanço e se traduz num dos mais importantes e esquemas construídos pela criança, durante o seu desenvolvimento. Pela primeira vez, ela trabalha com a hipótese de que a escrita representada partes sonoras da fala, porém uma particularidade: cada letra vale por uma sílaba. Assim, utiliza tantas letras quanto forem as sílabas das palavras. Ao trabalhar a escrita silábica, as exigências de variedade e de quantidade mínima de caracteres que aparecem na escrita pré-silábica, podem desaparecer momentaneamente.
Mas se a criança já tiver internalizado a hipótese silábica, a exigência na variedade de caracteres reaparece, pois a criança não aceita que uma palavra poderá ser lida com todas as letras iguais, e o problema se agrava quando a palavra a ser escrita seja um monossílabo. A criança não aceita que uma palavra com menos de três de letras possa ser lida, e então na tentativa de que se possa ler o que ela escreveu, acrescenta-se letras ao final da palavra. E a partir disso, surge um conflito cognitivo por causa da exigência de quantidade mínima de caracteres e a criança tenta buscar outra solução para o seu "problema".
No nível Silábico Alfabético, a passagem da hipótese silábica para a alfabética é um passo de extrema importância na evolução da leitura e da escrita. De acordo com Ferreiro e Teberosky (1999) a criança abandona a hipótese silábica e descobre a necessidade de fazer uma análise, que vá "mais além" da sílaba, pelo conflito entre a hipótese silábica e a exigência mínima de caracteres e o conflito entre a variedade interna das letras.
A criança percebe a insuficiência de sua hipótese ao associar uma letra para cada sílaba e passa a perceber a sílaba constituída com mais de uma letra. Pode-se explicar a passagem do nível silábico para o silábico-alfabético, quando a própria criança não consegue ler o que escreveu, pois faltam elementos para que se faça a leitura, e quando os adultos não conseguem ler o que a criança escreveu. Outro fator que também explica essa passagem é impossibilidade de ler o que as pessoas alfabéticas escrevem, pois as crianças acham que sempre está sobrando letras e então ela entra em conflito, pois sabem que nos livros e nas escritas das pessoas alfabetizadas, o que está escrito, está correto.
A fase final do processo de alfabetização de um indivíduo é marcada pelo Nível Alfabético, segundo Ferreiro e Teberosky (1999). Nesse nível, pode-se considerar que a criança venceu as barreiras do sistema de representação da linguagem escrita. Ela já é capaz de fazer uma análise sonora dos fonemas das palavras que escreve. Isso, porém não significa que todas as dificuldades foram vencidas. A partir daí, surgirão os problemas relativos à ortografia. Entretanto, trata-se de outro tipo de dificuldade que não corresponde ao sistema de escrita que ela já venceu.
De acordo com a pesquisa realizada por Ferreiro e Teberosky (1999), constatou-se que a apropriação do sistema de escrita passa pela reconstrução deste objeto de conhecimento, onde o sujeito cria os elementos e as relações que compõem este sistema de representação. Nesta reconstrução, o sistema alfabético de escrita é uma das representações da linguagem e não uma representação gráfica dos sons da fala.

3.Práticas na educação

No que diz respeito ao trabalho desenvolvido nas escolas em relação ao desenho, principalmente nas séries iniciais do ensino fundamental, é certo descaso com a disciplina que mais trabalha esse conteúdo a Artes como parte integrante do currículo e da formação das crianças. Os professores, em sua maioria, acreditam que o desenho nessa fase escolar não é importante e por esse motivo não planejam o trabalho envolvendo a arte em sala de aula. Mas o que foi observado durante o estudo sobre o desenho infantil e suas contribuições no processo de alfabetização, é que a arte é importante não só porque é uma forma de construir conhecimentos, é uma atividade que envolve a inteligência, o pensamento, a cognição; mas também que a arte influi na construção de conhecimentos, em especial em relação à escrita.
Luquet(1969) exemplifica como se dá o abandono da criança pela atividade do desenho, conforme sua teoria, esse desinteresse é produzido na idade em que a criança chega à concepção do realismo visual - com a sua conseqüência fundamental: a perspectiva; os desenhos que executava anteriormente de acordo com o realismo intelectual já não satisfazem o seu espírito crítico desenvolvido, e sente-se incapaz de fazer desenhos como quereria fazer. O autor afirma que o ensino do desenho deve visar não a acelerar artificialmente a evolução espontânea do desenho, mas por a criança em estado de desenhar convenientemente em realismo visual quando tenha esta intenção. Isso deve ser feito mostrando-lhes objetos de seu quotidiano e exercitando o desenho tanto quanto possível ao natural.    
Para este autor, a principal atitude do educador deve ser a de "apagar-se", deixar a criança use a sua criatividade, fazendo sempre com que estas sugestões não soem como imposições deixando-a desenhar ao seu modo, sem intervenções ou críticas.    A princípio, para a criança, o desenho não é um traçado executado para fazer uma imagem mas um traçado executado simplesmente para fazer linhas. (Luquet, 1969 pg.145)
Dessa forma, possibilitar às crianças que desenhem, ao contrário de ser perda de tempo, é propiciar-lhes representar graficamente as suas experiências, ou seja, é construir representações de forma e espaço através do desenho.
O desenho está também intimamente ligado com o desenvolvimento da escrita. Parte atraente do universo adulto, dotada de prestigio por ser "secreta", a escrita exerce uma verdadeira fascinação sobre a criança, e isso bem antes de ela própria poder traçar verdadeiros signos. Muito cedo ela tenta imitar a escrita dos adultos. Porém, mais tarde, quando ingressa na escola verifica-se uma diminuição da produção gráfica, já que a escrita (considerada mais importante) passa a ser concorrente do desenho.
No entanto, cabe ao professor estudar e conhecer as fases do desenho infantil e qual a relação que elas têm com os níveis de desenvolvimento da escrita, para que assim ele possa proporcionar aos alunos aulas que contribuíram tanto para o desenvolvimento artístico como o desenvolvimento do processo de aquisição da escrita. É aconselhável, ao professor, que ofereça às crianças o contato com diferentes tipos de desenhos e obras de artes, que elas façam a leitura de suas produções e escutem a de outros e também que sugira a criança desenhar a partir de observações diversas (cenas, objetos, pessoas) para que possamos ajudá-la a nutrisse de informações e enriquecer o seu grafismo. Assim elas poderão reformular suas idéias e construir novos conhecimentos. Enfim, o desenho infantil é um universo cheio de mundos a serem explorados.
O desenho está também intimamente ligado com o desenvolvimento da escrita. Parte atraente do universo adulto, dotada de prestigio por ser "secreta", a escrita exerce uma verdadeira fascinação sobre a criança, e isso bem antes de ela própria poder traçar verdadeiros signos. Muito cedo ela tenta imitar a escrita dos adultos. Porém, mais tarde, quando ingressa na escola verifica-se uma diminuição da produção gráfica, já que a escrita (considerada mais importante) passa a ser concorrente do desenho.
Como podemos perceber a linha de evolução é similar mudando com maior ênfase o enfoque em alguns aspectos. O importante é respeitar os ritmos de cada criança e permitir que ela possa desenhar livremente, sem intervenção direta, explorando diversos materiais, suportes e situações.

Considerações Finais
Partindo da pesquisa bibliográfica sobre o desenho infantil, observamos que embora a abordagem e a nomenclatura usada variem, não existem divergências entre os autores no que diz respeito ao desenho infantil sendo que este é notadamente, composto por fases, etapas, estágios, movimentos, qualquer que seja a nomenclatura usada para definir que o desenho evolui conforme o próprio crescimento da criança, dentro do seu processo de desenvolvimento como ser humano. Ou seja, as garatujas ou os rabiscos aparecem na fase sensório-motora, etapa da teoria do desenvolvimento humano desenvolvida pelo estudioso Jean Piaget, onde a criança explora materiais e movimentos, não na fase pré-operatória, onde a criança começa a construir e a representar.
O desenho infantil é um parâmetro de análise importante o progresso da criança. O seu desenvolvimento contribui a representação simbólica, para o desenvolvimento motor, emocional e conseqüentemente, para a alfabetização.
Observou-se na construção desse artigo que a bibliografia sobre o assunto é restrita, principalmente no âmbito educacional. Foram encontrados poucos autores e estudos sobre o assunto. A bibliografia encontrada é em sua maioria de autores da década de 50 e 60, sendo os principais deles Luquet e Piaget . Diante deste fato é importante que novas pesquisas sobre o desenho infantil sejam realizadas com a finalidade de subsidiar o trabalho dos educadores, assim como ampliar as hipóteses sobre o assunto, a partir de novas descobertas.
A evolução do desenho infantil está diretamente relacionada a representação simbólica que se manifesta por volta dos dois anos de idade, na fase pré-operatória. Assim sendo, este processo é intrínseco ao desenvolvimento das estruturas cognitivas e motoras necessárias à alfabetização e que são desenvolvidas pela interação entre a criança e o objeto. São essas interações que privilegiam a capacidade da criança representar e interpretar.
Diante disso é possível dizer que o desenho é precedente a escrita, mas que os dois possuem uma relação de interdependência, pois quanto mais oportunidades as crianças tiverem de representar e transcrever para o papel toda a sua impressão sobre o mundo que a rodeia, seus sentimentos, emoções etc, mais ela estará preparada para se apropriar do sistema de escrita, visto que o mesmo, assim como o desenho, também é uma forma de representação.
Educadores e pais devem oportunizar às crianças momentos significativos de interação, dentre as quais as atividades lúdicas tem um papel fundamental. O desenho, como uma atividade lúdica, é um dos principais exemplos. Podemos ainda citar o brincar, os jogos e as dramatizações, todos contribuintes para o desenvolvimento da representação simbólica.

Referências Bibliográficas
FERREIRO, Emília, TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. Trad. Diana Myriam Lichtenstein, Liana Di Marco e Mário Corso. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.
GARDNER,Howard.Arte, Mente e Cerébro: uma abordagem cognitiva da criatividade. Tradução: Sandra Costa. Porto Alegre:Artes Médicas Sul, 1999.
LUQUET, G. H. O desenho infantil. Porto: Editora do Minho, 1969.
LUQUET, G.H. Arte Infantil. Lisboa: Companhia Editora do Minho, 1969.
MÈREDIEU, F. O desenho infantil. São Paulo: Cultrix, 1995.
PIAGET, J. A formação dos símbolo na criança. PUF, 1948
PILLAR, Analice Dutra. Desenho & escrita como sistema de representação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
RABELLO, Sylvio. Psicologia do Desenho Infantil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1935.



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